Kirchner é sepultado em Río Gallegos

Após cerimônia íntima para familiares, amigos e funcionários públicos mais próximos, o corpo do ex-presidente da Argentina, Néstor Kirchner, foi colocado na capela do cemitério municipal de Río Gallegos, capital da província de Santa Cruz, na Patagônia, a 2.636 km ao sul de Buenos Aires. Segundo informou a agência oficial de notícias, Télam, a decisão da presidente Cristina Kirchner de colocar o caixão do marido na capela foi tomada no último momento para que os moradores da cidade natal dele possam se despedir do ex-líder. Télam disse que o traslado do corpo ao mausoléu familiar será realizado nas próximas horas.

MARINA GUIMARÃES, CORRESPONDENTE, Agência Estado

30 de outubro de 2010 | 00h35

A presidente Cristina Kirchner mandou construir um panteão presidencial para onde os restos mortais do marido serão transferidos quando a obra for concluída. A viúva abandonou o cemitério por volta das 22:30 horas desta sexta-feira, horário de Brasília. O sub-secretário de Imprensa, Alfredo Scoccimarro, informou que a presidente vai retomar suas atividades na próxima segunda-feira.

Deputado e presidente do Partido Justicialista (PJ, peronista) e secretário-geral da União de Nações Sul-Americanas (Unasul), Kirchner faleceu na quarta-feira (27), vítima de uma parada cardiorrespiratória, em El Calafate, distante 296 quilômetros de Río Gallegos.

O corpo do ex-presidente argentino foi trasladado de Santa Cruz para Buenos Aires para o velório, que começou na quinta-feira, às 11 horas, no Salão dos Patriotas Latino-Americanos, na Casa Rosada, sede do Executivo.

O multitudinário velório do ex-líder foi com caixão fechado e durou 26 horas marcadas por gestos emotivos e muitas lágrimas da viúva, de parentes, de ministros, de amigos e de simpatizantes do casal.

O cortejo da Casa Rosada até a base aérea foi seguido por milhares de pessoas ao longo das avenidas da capital argentina por onde passou. Nem a insistente chuva que caiu desde a madrugada desta sexta-feira intimidou a população que se mobilizou para a despedida final de Néstor Kirchner.

A repercussão da morte e a dimensão do funeral do ex-presidente são comparadas às de outros quatro líderes políticos que marcaram a história da Argentina nos últimos 77 anos: Hipólito Yrigoyen (1933); Eva Perón (1952); Juan Domingo Perón (1974) e Raúl Alfonsín (2009). Todos tiveram como testemunha o céu cinzento.

O avião TC-55 da Força Aérea Argentina, que transportou a presidente Cristina e os restos do marido dela, aterrissou por volta das 18h30 em Río Gallegos. Junto aos dois filhos do casal Kirchner, Máximo e Florência, Cristina foi recebida por políticos, autoridades provinciais e pelo presidente da Venezuela, Hugo Chávez.

Uma caravana quilométrica seguiu o cortejo fúnebre durante o percurso de oito quilômetros entre o aeroporto provincial e o cemitério. Uma multidão acompanhou o cortejo e se posicionou em volta do cemitério, onde um forte esquema de segurança impediu sua entrada.

Cristina e Néstor estiveram casados durante os últimos 35 anos, durante os quais seguiram a carreira política como verdadeiros sócios. A opinião pública considera que ele era o verdadeiro poder no governo da mulher, cujo mandato termina em dezembro de 2011.

Néstor era considerado candidato à sucessão da esposa na presidência, invertendo os papéis desenvolvidos nas eleições de 2007, quando Cristina o sucedeu. Hoje, o chanceler argentino Héctor Timerman declarou que Cristina será candidata à reeleição.

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