Kirchner faz ataques diretos às Forças Armadas da Argentina

O jornal argentino La Nación traz diferentes textos sobre o projeto de reforma das Forças Armadas do país e o discurso realizado na segunda-feira pelo presidente argentino, Néstor Kirchner, no qual teriam sido realçadas as crescentes tensões entre o Executivo argentino e militares.A tensão teve início no dia 24 de maio, quando representantes do exército realizaram um ato em memória aos militares mortos por militantes de esquerda nos anos 70. O ato gerou críticas da imprensa e do governo argentino. Na segunda, Kirchner fez referência ao episódio durante um discurso, mas escolheu uma data e um local altamente significativos: o Dia do Exército, celebrado no Colégio Militar de Buenos Aires. O líder argentino afirmou: "Como presidente da nação argentina, não tenho medo, nem tenho medo deles".A declaração, segundo o jornal, surpreendeu os militares, levando alguns a abandonar o palco antes do fim do discurso presidencial. O La Nación traz o texto de um articulista que afirma que a relação de Kirchner com as Forças Armadas tem sido difícil desde o início de seu mandato e é marcada "por uma lógica de tensão constante".O jornal também ouviu representantes da oposição, que apoiaram a postura do presidente, mas criticaram "excessos", que ele teria cometido. O diário destaca a afirmação de um senador que afirma que "Kirchner procura fantasmas onde eles não existem".Em outro texto analítico, o jornal afirma que "a dureza do discurso do presidente no Dia do Exército foi, para alguns observadores, mais um exemplo de uma política militar condicionada pela construção do poder político pessoal". O diário adverte, no entanto, que "na maioria das vezes, os gestos voltados para a mídia são mais fortes do que qualquer ação governamental".

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