Kirchner lidera pesquisa por estreita margem

Nem o uso intenso da máquina clientelista do governo, a candidatura de atrizes de telenovelas e o respaldo dos caciques políticos dos municípios da Grande Buenos Aires deram ao ex-presidente argentino Néstor Kirchner uma vantagem de peso na largada da campanha para as decisivas eleições parlamentares de 28 de junho. Segundo uma pesquisa divulgada ontem, Kirchner de fato é o primeiro da lista dos deputados mais votados na Província de Buenos Aires, como era previsto, mas sua vantagem sobre o segundo colocado é muito mais estreita do que o governo esperava. A pesquisa, da consultoria Management & Fit, indica que Kirchner, candidato do Partido Justicialista (peronista) e da sublegenda Frente pela Vitória (FPV), tem 32,6% das intenções de voto. Ele é o principal trunfo do governo de sua mulher, a presidente Cristina Kirchner, para as eleições da capital, que concentra 38% do eleitorado da Argentina. Seu principal rival, o empresário Francisco de Narváez, candidato do peronismo dissidente em aliança com a coalizão de centro-direita Proposta Republicana (PRO), conta com 29,7% das intenções de voto. Essa aliança é respaldada pelo ex-presidente Eduardo Duhalde e o prefeito de Buenos Aires, Maurício Macri.A terceira força política, composta pela aliança da União Cívica Radical (UCR) - liderada por Ricardo Alfonsín (filho do falecido ex-presidente Raúl Alfonsín) - com a centro-esquerdista Coalizão Cívica e o Partido Socialista, possui 13,5% dos votos. Outros partidos têm 10,4% e a porcentagem de indecisos é de 13,7%.AUMENTOS SALARIAISNas últimas semanas o governo argentino distribuiu subsídios, eletrodomésticos e alimentos nas áreas mais pobres da Província de Buenos Aires, além de aumentar os salários do funcionalismo público em todo o país. Segundo a pesquisa da Management & Fit, essas medidas não impediriam a derrota da coalizão dos Kirchners. Do total de pesquisados, 61,5% acreditam que o governo perderá sua frágil maioria parlamentar.

Ariel Palacios, BUENOS AIRES, O Estadao de S.Paulo

18 de maio de 2009 | 00h00

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