Kirchner limita autonomia do ministro Lavagna

Com a criação do Ministério de Planejamento Federal, Investimento Público e Serviços na Argentina, e a fusão do Ministério de Produção ao de Economia, o ministro de Economia, Roberto Lavagna, está sendo obrigado a fazer uma reestruturação em sua pasta sem nem mesmo poder decidir os nomes dos segundo e terceiro escalões de sua equipe. É que o presidente Néstor Kirchner participa ativamente de todo o processo de formação das equipes de todos os ministérios e órgãos do governo. Com o ex-presidente Eduardo Duhalde, o ministro Lavagna se acostumou a tomar as decisões, em todos os níveis, e levá-la ao presidente somente para conhecimento.Agora, segundo informações de bastidores do Ministério de Economia e da Casa Rosada, Lavagna já não tem tanta autonomia como antes, e isso já começou a despertar preocupações em alguns analistas que preferem não se antecipar em análises "alarmistas" mas temem que o ministro de Economia poderia ser enfraquecido nos primeiros meses da gestão de Kirchner. A preocupação faz sentido, já que Roberto Lavagna é uma espécie de cartão de visitas de Néstor Kirchner aos mercados local e internacional e perante aos organismos multilaterais. "Um enfraquecimento de Lavagna será recebido como um péssimo sinal", afirmou um analista de um banco estrangeiro que prefere o anonimato.Nas horas prévias ao anúncio de seu ministério, Kirchner foi bastante claro em sua mensagem: "não quero criar um superministro", disse o então presidente eleito à imprensa, logo depois de dizer o mesmo ao próprio Lavagna. Segundo o colunista econômico Marcelo Bonelli, um dos mais respeitados no país, na última sexta-feira, em reunião que manteve com os funcionários mais próximos, alguns que estavam deixando seus cargos, outros que continuariam, Roberto Lavagna transmitiu-lhes qual será a linha do novo presidente. Embora tenha afirmado que não existem diferenças entre ele e o presidente, Lavagna admitiu que o estilo e os tempos de Kirchner não têm nada a ver com os de Duhalde e que todos deveriam passar um zíper na boca. "O presidente se incomoda com o vazamento de informações à imprensa e que o jornalismo se antecipe à suas decisões. Por isso, vocês têm que ter um mutismo total". Néstor Kirchner já deu uma mostra, durante a transição, de que o estilo de não abrir a boca será a tônica de seu governo. Nenhum jornalista conseguia informações sobre a formação do ministério com seus assessores mais próximos, alguns nomeados ministros. A ordem na Casa Rosada é a de que nenhuma informação importante poderá vazar para a imprensa, sem a autorização do presidente, assim como, nenhum secretário dos ministérios, poderá ser nomeado sem o visto de Kirchner. Lavagna tem levado ao presidente propostas de nomes para integrar sua equipe, já que estará também com o Ministério da Produção e todas suas secretarias, mas Kirchner não tem aprovado nada e não deu carta branca para que Lavagna escolha nenhum de seus homens de confiança, exceto o secretário de Finanças, Guillermo Nielsen, quem será mantido no cargo.

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