Kirchner promete além da conta

Orçamento de 2008 prevê só metade das obras anunciadas

Ariel Palacios, BUENOS AIRES, O Estadao de S.Paulo

08 de outubro de 2007 | 00h00

Se vencer as eleições presidenciais do dia 28, a senadora e primeira-dama Cristina Fernández de Kirchner só poderá cumprir menos da metade das 670 obras prometidas em palanques nos últimos meses pelo presidente Néstor Kirchner, seu principal cabo eleitoral. É o que mostra levantamento do jornal dominical Perfil, com base no projeto de lei de Orçamento Nacional de 2008 preparado pelo próprio governo Kirchner.O projeto de Orçamento Nacional prevê fundos US$ 771 milhões para as obras, ou seja, 45% do total prometido para 2008. Desta forma, centenas de obras terão que ser canceladas ou adiadas para anos seguintes.Dentro do show de comícios, o governo não evita sequer reinaugurar obras inauguradas há poucos meses. Esse foi o caso de um mercado em José C. Paz, na Grande Buenos Aires, inaugurado há um ano por Kirchner. Na semana passada, foi novamente inaugurado com sua presença e a de Cristina. De olho no eleitorado de classe média e média alta, onde Cristina Kirchner enfrenta seus maiores índices de rejeição, o governo Kirchner também reduzirá impostos. No fim de semana, o chefe do Gabinete de Ministros, Alberto Fernández, confirmou que enviará ao Congresso Nacional o projeto de lei que altera o nível mínimo do imposto sobre bens pessoais. A medida vai beneficiar 300 mil de um universo de 640 mil contribuintes. Cerca de 300 mil contribuintes continuarão pagando o imposto, mas de forma reduzida. Os restantes 40 mil pagarão impostos mais elevados.A medida terá efeitos retroativos - a Receita Federal devolverá dinheiro aos contribuintes que já pagaram. O governo calcula que o benefício implicará em estímulo para o consumo. Os analistas afirmam que esses benefícios colaboram em aplacar o mau humor da classe média com a escalada da inflação.CENTENÁRIOSA Argentina conta com 26.290 eleitores com mais de cem anos de idade. É o que mostra a listagem da Justiça Eleitoral, que está desatualizada. O Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (Indec) indica a existência de apenas 374 argentinos com mais des 100 anos. A oposição vê na desatualização da lista eleitoral um risco potencial de fraude nas eleições do dia 28.

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