Kirchner quer uma Argentina "mais séria"

O presidente Néstor Kirchner anunciou em seu discurso de posse que pretende fixar políticas nacionais, de longo prazo, de forma a gerar um futuro com tranqüilidade. Kirchner disse que quer a colaboração de todos os argentinos. "É preciso superar os discursos de oposição. Nos países civilizados, os adversários discutem e dialogam".Em uma referência implícita ao governo neo-liberal do ex-presidente Carlos Menem (1989-99), disse que os argentinos deixaram claro nas eleições que não pretendiam "voltar ao passado". "O povo marcou uma forte opção pelo futuro e a mudança", disse, afirmando que o passado do país esteve "marcado por lutas estéreis". No entanto, segundo ele, "mudança é o nome do futuro".Kirchner criticou a concentração de poder em alguns setores econômidos, o endividamento externo de governos anteriores, e as políticas econômicas que denominou de "cirugia sem anestesia".O novo presidente também sustentou que acabou a época de anúncios grandiloqüentes, que geraram "desilusões permanentes". Kirchner disse que "ninguém deve pensar que as coisas vão mudar de um dia para o outro".No discurso, o presidente afirmou que deseja a construção de um capitalismo nacional e a recuperação da mobilidade social ascendente. "Uma Argentina onde os filhos possam aspirar a ter uma vida melhor que a de seus pais".O presidente disse que o Estado tem um papel fundamental na geração de novos postos de trabalho. Segundo ele, o Estado tem que colocar igualdade onde o mercado abandona e exclui.Com os Estados Unidos, disse que pretende ter uma relação "séria e madura".O novo presidente destacou que "ficaram para atrás o tempo dos líderes messiânicos, predestinados... daqui para a frente, serão equipes orgânicas". Kirchner disse que não pediu nem solicitará cheques em branco para a população. "Quero que sejamos um país mais sério".Elogios - O discurso de posse do presidente foi considerado forte e com clara mensagem ao povo argentino, segundo a delegação brasileira presente a cerimônia. Para o assessor especial da presidência, Marco Aurélio Garcia, além de ser um "discurso de peso", foi interessante e expressa o que os argentinos votaram. O chanceler brasileiro Celso Amorim destacou que, no sentido geral, Kirchner transmitiu a mensagem clara de que não pode haver soluções mágicas e que está disposto a corrigir as distorções do mercado. Ele reconheceu uma grande afinidade do discurso do novo presidente argentino com a direção política do governo brasileiro.

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