Kirchner reabrirá edifício-símbolo da repressão

Local onde foram torturadas 5 mil pessoas se tornará centro de defesa dos direitos humanos

Ariel Palacios, O Estadao de S.Paulo

07 de setembro de 2018 | 00h00

Buenos Aires - O presidente da Argentina, Néstor Kirchner, reabrirá dentro de um mês a Escola de Mecânica da Marinha (Esma, pelas iniciais em espanhol), maior centro de detenção e tortura da última ditadura argentina (1976-1983). O lugar onde foram torturadas 5 mil pessoas - das quais somente 150 sobreviveram - se tornará um espaço para a memória dos horrores da ditadura e um centro internacional de atividades relacionadas à defesa dos direitos humanos. O local deve expor também os crimes de ditaduras de outros países do Cone Sul. A nova Esma é inspirada no Museu do Holocausto, em Berlim. A reabertura, segundo analistas políticos, também teria intenções eleitorais, pois ocorrerá dias antes das eleições presidenciais de 28 de outubro. Com ela, Kirchner agradaria setores de esquerda da cidade de Buenos Aires, onde o eleitorado costuma ser contrário ao populismo peronista do presidente.A reabertura também coincidirá com o início do primeiro julgamento de um ex-integrante da Esma, o chefe da guarda naval Héctor Febres, acusado de torturar e assassinar dezenas de civis durante a ditadura.

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