Kirchner teve alta em menos de 24 horas

Recém-operado, ex-presidente prepara-se para participar de comício na terça-feira

Ariel Palacios, Correspondente em Buenos Aires, Estado de S. Paulo

12 de setembro de 2010 | 21h42

BUENOS AIRES - "Estou perfeito!". Com esta frase, o ex-presidente Néstor Kirchner surpreendeu neste domingo à noite os jornalistas que estavam de plantão nas portas do hospital Los Arcos, no bairro de Palermo, onde havia sido internado na noite de sábado. Na primeira hora da madrugada deste domingo Kirchner foi submetido à uma angioplastia. Menos de 21 horas depois, Kirchner partiu do hospital, rumo à residência presidencial de Olivos, acompanhado da presidente Cristina Kirchner.

 

 

A alta de Kirchner era esperada para esta segunda-feira à noite, tal como havia afirmado poucas horas antes o porta-voz da presidência, Alfredo Scoccimarro.

 

 

Mas, os médicos decidiram antecipar sua saída do hospital. Especulações no âmbito político indicavam que os integrantes governo da presidente Cristina, esposa e sucessora de Kirchner, estavam preocupados com o custo político que poderia acarretar a internação do poderoso ex-presidente. Kirchner é considerado o verdadeiro poder no governo da esposa.

 

 

Scoccimarro não descartou que Kirchner participe do comício organizado para esta terça-feira, dia 14, no estádio coberto Luna Park, em pleno centro portenho, onde estava previsto que discursaria para milhares de jovens militantes. "Começará suas tarefas nesta semana", afirmou Scoccimarro, com tom categórico.

 

 

Kirchner não descansou nas breves horas de sua internação. Ele reuniu-se com o chefe do gabinete de ministros, Aníbal Fernández e o ministro do Planejamento Federal, Julio De Vido. Fernández e De Vido são, respectivamente, os braços-direitos dos Kirchners na área política e econômica.

 

 

DORES - No sábado à tarde Kirchner sentiu fortes dores no peito e foi levado à uma clínica no município de Olivos, nas proximidades da residência presidencial, na área norte da Grande Buenos Aires. Mas, devido à gravidade de seu estado seus médicos decidiram transferi-lo ao hospital Los Arcos, no bairro de Palermo, na capital argentina. Ali, os médicos realizaram uma angioplastia.

 

 

Esta é a segunda vez neste ano que o ex-presidente sofre problemas coronários. Em fevereiro passado foi operado de uma obstrução na carótida. Na ocasião, perante a internação do homem mais poderoso da Argentina, o funcionamento do governo ficou em compasso de espera. Após sua alta, os médicos recomendaram a Kirchner uma drástica redução de sua atividade política. No entanto, o ex-presidente, recusou-se a diminuir seu ritmo de trabalho. Nos últimos dois meses circularam rumores sobre exames médicos feitos de forma secreta por Kirchner e boatos sobre seus problemas de saúde.

 

 

MÚLTIPLOS CARGOS - Kirchner, presidente entre 2003 e 2007 é considerado o verdadeiro poder no governo de sua esposa e sucessora, a presidente Cristina Kirchner. O ex-presidente, chamado de "presidente" pelos próprios ministros de sua mulher (ao qual consultam antes de falar com a presidente Cristina), é famoso por concentrar decisões e de não delegar funções.

 

 

Kirchner, além de ocupar o posto de deputado federal no Parlamento, é também o presidente do governista partido Justicialista (Peronista). De quebra, ocupa a secretaria-geral da União de Nações Sul-americanas (Unasul).

 

 

CANDIDATURA - Há poucas semanas ministros de sua esposa lançaram informalmente sua candidatura à presidência da República nas eleições do ano que vem. Brincando, afirmaram que o candidato do governo seria "um pinguim" (apelido do ex-presidente, por suas origens patagônias). Irritada, dias depois, a própria presidente Cristina retrucou: "e por qual motivo não poderia ser uma pinguim-fêmea".

 

 

Neste domingo, o ex-embaixador, escritor e colunista político Jorge Assís, ressaltou que, por causa dos problemas de saúde de Kirchner, o governo teria que recorrer a Cristina como candidata presidencial para as eleições de 2011.

Tudo o que sabemos sobre:
ArgentinaKirchneraltaoperação

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.