EFE/David Fernández
EFE/David Fernández

Kirchnerismo marcha em círculos por 24 horas na Praça de Maio

Centenas de militantes começaram o ato às 17 horas, com cartazes que pediam emprego e o retorno de Cristina Kirchner, que governou entre 2007 e 2015; apoiadores trabalham para que ela se candidate ao Senado em 2017

Rodrigo Cavalheiro CORRESPONDENTE / BUENOS AIRES, O Estado de S. Paulo

26 Agosto 2016 | 20h29

A marcha semanal em círculos das Mães da Praça de Maio ganhou nesta sexta-feira, 26, uma versão ampliada, de 24 horas, contra o presidente argentino, Mauricio Macri. Centenas de militantes começaram o ato às 17 horas, com cartazes que pediam emprego e o retorno de Cristina Kirchner, que governou entre 2007 e 2015. Apoiadores trabalham para que ela se candidate ao Senado em 2017. 

A ex-presidente responde na Justiça a ações por enriquecimento ilícito, fraude financeira e descumprimento das funções de funcionário público, entre outras acusações. Esta semana, o Ministério Público pediu ao Judiciário que proíba a saída dela do país, por supostamente ter ocultado contas ligadas ao empreiteiro kirchnerista Lázaro Báez no valor de US$ 492 milhões nos EUA. O promotor que fez a denúncia, Guillermo Marijuan, virou alvo de uma ação nesta sexta-feira depois que uma gravação em que dizia à produção de um programa de TV ter colocado Cristina "perto da prisão" foi divulgada.

Hebe de Bonafini, líder da associação que busca filhos desaparecidos na última ditadura (1976-1983) e kirchnerista incondicional, ressaltou que o objetivo da marcha que será encerrada por ela neste sábado às 17 horas é reivindicar trabalho para a população. Na quarta-feira, o governo Macri divulgou pela primeira vez o índice de desemprego, de 9,3%. A medição foi distorcida durante o kirchnerismo, que interveio no Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec).

Desde 2006, as Mães da Praça de Maio não convocavam marchas de um dia de duração, com shows durante a madrugada para os militantes que se revezam caminhando.

“Vocês têm de ser nossas pernas, pois já não podemos caminhar”, disse a ativista, em uma cadeira de rodas, no começo da manifestação. Hebe esteve a ponto de ser detida este mês por se negar a depor em um caso em que é investigada por desvio de dinheiro destinado à construção de casas populares por sua fundação. 

A ordem judicial não foi cumprida em razão de uma mobilização da militância kirchnerista em torno dela, que aceitou declarar na sede da associação.

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