Kirchnerismo rejeita acusação de espionagem

As deputadas opositoras Laura Alonso e Patricia Bullrich formalizaram na noite de terça-feira, a cinco dias da eleição presidencial, uma denúncia de espionagem contra políticos, juízes, promotores, jornalistas, artistas e outros agentes de inteligência.

BUENOS AIRES, O Estado de S.Paulo

22 Outubro 2015 | 02h00

Aníbal Fernández, chefe de gabinete da presidente Cristina Kirchner, rejeitou as acusações. "Isto é uma invenção. Talvez a maior de todas as histórias que essas duas deputadas criaram nos últimos anos", disse.

Entre os nomes que aparecem na lista estão os de antigos e atuais integrantes da Corte Suprema, promotores e jornalistas que trabalham em veículos críticos ao kirchnerismo.

De acordo com as duas integrantes da coalizão Cambiemos, do candidato conservador à presidência Mauricio Macri, as mais de 100 vítimas foram alvo de agentes da antiga Secretaria de Inteligência do Estado (Side) - hoje Secretaria de Inteligência.

Segundo a acusação, os espiões obtiveram informações infiltrando-se em celulares, e-mails, telefones e computadores. Não há indícios da data em que espionagem teria ocorrido. Conforme as parlamentares, elas receberam uma relação com nomes completos, números de documento e data de nascimento dos vigiados. A veracidade do documento será alvo de investigação.

Ainda há na relação ex-espiões que comandaram a Side ou tiveram altos cargos, como Jaime Stiuso, ligado à investigação do atentado contra a Associação Mutual Israelita-Argentina (Amia), em 1994, que matou 85 pessoas. Integrantes do governo relacionam Stiuso à morte do promotor Alberto Nisman, em 18 de janeiro. Ele foi encontrado com um tiro na cabeça em seu apartamento no bairro de Puerto Madero. A investigação ainda não concluiu se houve homicídio ou suicídio.

Em dezembro, Cristina destituiu a cúpula da antiga Side, aposentando parte dos dirigentes, entre eles Stiuso. Ele trabalhava com Nisman na investigação do atentado contra a Amia. Em dezembro, Nisman finalizou uma denúncia contra a presidente com base em escutas feitas pela Side e apresentadas quatro dias antes de sua morte.

Segundo Nisman, as gravações provavam que Cristina negociou com o Irã um pacto para proteger os iranianos condenados na Argentina pelo atentado, em troca de vantagens comerciais. Os iranianos, então membros da cúpula do governo, seriam ouvidos em Teerã por uma comissão da verdade. A Justiça argentina arquivou, em maio, a denúncia contra Cristina, sob argumento de que o acordo nunca foi aprovado pelos Parlamentos. / R.C.

"Isto (a denúncia de espionagem) é

uma invenção. Talvez

a maior de todas as histórias que essas duas deputadas criaram nos últimos anos"

Aníbal Fernández

CHEFE DE GABINETE DA

PRESIDENTE CRISTINA KIRCHNER

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