Kirchnerismo se une após reduzir distância da oposição na capital

A presidente Cristina Kirchner deu ontem um forte sinal para sua militância ao aplaudir o discurso do candidato governista Daniel Scioli durante a inauguração de uma estrada na região metropolitana de Buenos Aires. Membros da campanha do governador da Província de Buenos Aires reconhecem que ele não era o preferido dela por pertencer a uma ala mais conservadora do peronismo, mas a falta de um kirchnerista puro com chances de vitória fez com que ela aceitasse a chapa com Carlos Zannini como vice, um de seus homens de confiança.

Rodrigo Cavalheiro, CORRESPONDENTE / BUENOS AIRES, O Estado de S.Paulo

22 de julho de 2015 | 02h02

O movimento para acelerar a aceitação de Scioli pela base do kirchnerismo, principalmente pelo movimento La Cámpora, grupo de jovens dirigidos por Máximo Kirchner, filho da presidente, ocorre justamente quando um resultado eleitoral inesperado expôs fissuras na coalizão opositora, formada pelo prefeito de Buenos Aires, Mauricio Macri.

Surpresa.

No domingo, Macri esperava fazer seu sucessor com um triunfo contundente, capaz de consolidá-lo como líder incontestável da oposição. Seu afilhado político, o engenheiro Horacio Larreta, venceu o economista Martín Lousteau por apenas 3 pontos porcentuais, quando pesquisas chegaram a apontar diferença de 12 pontos. "Há coisas em que não podemos voltar atrás", disse Macri, diante de uma militância tão incrédula quanto a que via ontem Cristina aplaudir Scioli com convicção.

Embora mantenha um perfil discreto, Scioli aproveitou o respaldo no ato em Cañuelas, a 70 quilômetros da capital. "Quero agradecer-lhe a confiança pessoal e política depois de tantos anos de trabalho juntos. Sinto uma enorme responsabilidade ao lado de Carlos Zannini e sinto que o povo argentino não quer um passo atrás. Essa é a verdadeira vitória, a do trabalho, da indústria nacional, da produção, da ciência, da tecnologia, da família, da educação", afirmou Scioli.

Desafio. Ele acusou a oposição de cair em contradição e não ter suas próprias políticas. Cristina assumiu microfone para seguir na mesma linha e elogiar Macri, ironicamente. "Os que criticavam e votavam contra essas leis agora dizem que são boas. Que sorte, eu fico contente, não é para ficar com raiva. Mas, se tivessem percebido antes, quanta discussão teríamos poupado. Os que disseram que estávamos dividindo veem que ter os próprios aviões é bom", provocou a presidente.

Dirigentes pró-Macri justificaram ontem o discurso feito pelo empresário no domingo à noite, ponderando que é preciso buscar eleitores mais ao centro. "Há cerca de 20% que não discordam de todas as políticas kirchneristas, mas também não apoiam o governo totalmente", disse um deles ao Estado.

O desafio de Scioli é semelhante: mudar a intenção de eleitores que, em princípio, são antikirchneristas, mas votariam num moderado, como ele se apresentou durante os oito anos de governo na Província de Buenos Aires.

Sergio Massa, um ex-kirchnerista que chegou a liderar as pesquisas no início do ano e agora aparece em terceiro, aproveitou para relançar sua campanha. De acordo com o último levantamento da consultoria M&F, do início de julho, Scioli tinha 36,9% das intenções de voto. Macri aparecia com 31,6% e Massa, com 12,1%.

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