Kirchnerismo sofre sua primeira derrota em casa em 22 anos

Pela primeira vez em 22 anos, o kirchnerismo perdeu uma eleição em seu reduto político, a província argentina de Santa Cruz, no sul da Patagônia. Nas primárias disputadas na Argentina, no domingo, 77% dos eleitores da região votaram nos candidatos da oposição ao governo da presidente Cristina Kirchner, derrotando a lista de candidatos governistas ao Parlamento, liderada por Mauricio Gómez Bull, que conquistou 23% dos votos. O candidato mais bem colocado nas prévias locais foi Eduardo Raúl Costa, da União Cívica Radical (UCR), de oposição, que obteve 44,5% dos votos.

CENÁRIO: Ariel Palacios, É CORRESPONDENTE EM BUENOS AIRES, CENÁRIO: Ariel Palacios, É CORRESPONDENTE EM BUENOS AIRES, O Estado de S.Paulo

13 de agosto de 2013 | 02h11

Tradicionalmente, Santa Cruz tem sido controlada com "mão de ferro" pelo kirchnerismo desde que, em 1991, Néstor Kirchner tornou-se governador da província. Cristina nada disse sobre a derrota na região, a qual chama de seu "lugar no mundo". De lá para cá, a dinastia Kirchner silenciou os meios de comunicação não alinhados na província e destituiu juízes que haviam começado a investigar casos de corrupção em que o casal e seus correligionários foram denunciados. Nos últimos anos, diversos protestos populares abalaram Santa Cruz, que possui um dos melhores padrões de vida da Argentina.

Em diversas ocasiões, Cristina enviou a Gendarmería - corpo especial da polícia argentina - para dissipar manifestações populares em Santa Cruz e para reprimir greves do setor petrolífero. Diante dos protestos de operários e funcionários públicos, Cristina reagiu com a destituição de antigos aliados, colocando em seus lugares integrantes de La Cámpora, a juventude kirchnerista - organização que está ampliando sua presença no comando de empresas estatais e ministérios argentinos.

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