Kirchnerismo tenta recuperar terreno

A uma semana de eleição legislativa, pesquisas mostram avanço governista modesto, insuficiente para manter domínio do Congresso

ARIEL PALACIOS , CORRESPONDENTE / BUENOS AIRES , O Estado de S.Paulo

20 de outubro de 2013 | 03h00

Daqui a uma semana, os argentinos irão às urnas para renovar metade da Câmara de Deputados e um terço do Senado, definindo o novo mapa político do país nos próximos dois anos. O clima é de "transição", já que as urnas devem indicar uma derrota da presidente Cristina Kirchner.

Uma pesquisa da Management & Fit mostra que 60,4% dos argentinos não querem uma vitória do kirchnerismo - e 31,1% desejam a vitória da oposição. O prognóstico indica, porém, que o governo terá um desempenho melhor do que nas eleições primárias do dia 11 de agosto, quando os candidatos da Casa Rosada tiveram 26% dos votos em todo o país - a oposição obteve 74% da votação.

A leve melhora dos kirchneristas coincidiu, nas últimas semanas, com a cirurgia na cabeça de Cristina, que estará de licença até meados de novembro. Nesse período, sem medidas econômicas ou políticas no meio, a aprovação da presidente subiu de 33,5% para 44,4%.

"Sem dúvida, o problema de saúde da presidente provocou empatia e solidariedade por parte da população", afirmou ao Estado Mariel Fornoni, diretora de opinião pública da Management & Fit.

Sondagens do instituto indicam que 44,5% dos argentinos consideram que o estado de saúde da presidente teria alguma influência - em maior ou menor grau - nas eleições de domingo, que coincidem com o terceiro aniversário da morte do ex-presidente Néstor Kirchner, marido de Cristina.

No entanto, a presidente não estaria sendo informada do cenário político, já que foi "blindada" pelos médicos, que lhe ordenaram repouso. Na sexta-feira, o chefe do gabinete de ministros, Juan Manuel Abal Medina, afirmou que Cristina está cumprindo as determinações. "Ela não assiste TV nem lê os jornais", disse Medina.

Cristina depara-se com um cenário no qual não poderá tentar uma reeleição em 2015, já que não tem votos para modificar a Constituição - o que é necessário para que ela possa disputar um terceiro mandato. Além disso, ela não tem um candidato próprio à sucessão. Por isso, integrantes do kirchnerismo já lutam pelo poder e disputam o status de presidenciáveis.

Luta. No principal campo de batalha das eleições parlamentares, a Província de Buenos Aires - 38% do eleitorado -, a lista kirchnerista, liderada por Martín Insaurralde, teria 33,3% das intenções de voto, um aumento com relação às primárias, quando obteve 29,6%.

Mas seu principal rival, Sergio Massa, ex-chefe de gabinete de Cristina, que rompeu com o governo e criou o partido Frente Renovadora, tem 40,5% - também mais do que nas primárias, quando conseguiu 34,95%.

Entre os mais populares candidatos à presidência, segundo pesquisa da Management & Fit, está o governador da Província de Buenos Aires, Daniel Scioli, peronista aliado de Cristina, com 21,4% das intenções de voto. Massa tem 19,1%. O prefeito de Buenos Aires, Mauricio Macri, do Proposta Republicana, de centro-direita, vem atrás com 10,6%. O socialista Hermes Binner conta com 8,9%.

A sondagem da Raúl Aragón e Associados, no entanto, coloca Massa em primeiro, com 24,3%, enquanto Scioli aparece em segundo, com 22,7% das intenções de voto.

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