Kirchnerismo unifica candidato à presidência

Ministro Randazzo desiste de disputa interna após peronista moderado Scioli aceitar vice ligado a Cristina Kirchner; oposição fará primárias

RODRIGO CAVALHEIRO, CORRESPONDENTE / BUENOS AIRES, O Estado de S.Paulo

19 de junho de 2015 | 02h02

O ministro dos Transportes argentino, Florencio Randazzo, desistiu de concorrer à presidência, o que unificou a candidatura kirchnerista em torno do governador da Província de Buenos Aires, Daniel Scioli. O fim da disputa interna ocorre depois de Scioli aceitar como vice em sua chapa Carlos Zannini, homem próximo da presidente Cristina Kirchner e ideólogo da corrente política iniciada há 12 anos por Néstor Kirchner (2003-2007), morto em 2010.

Com isso, não haverá prévias da governista Frente para a Vitória (FpV) em 9 de agosto, data reservada para que os grupos políticos definam seus candidatos em votação, na qual participarão nomes indicados até a meia-noite de amanhã. As primárias argentinas funcionam como uma pesquisa de intenção de votos com participação obrigatória.

Sem uma disputa interna na FpV, Cristina evita a divisão dos votos governistas entre dois nomes. Essa competição provavelmente permitiria ao prefeito de Buenos Aires, o conservador Mauricio Macri, terminar como o pré-candidato presidencial mais votado na primária, considerando-se todos os partidos, o que simbolicamente fortaleceria o projeto opositor.

Os "anti-K", que chegaram a negociar uma aliança entre Macri e o ex-kirchnerista Sergio Massa, chegam divididos às prévias. Ambos têm a presença praticamente certa no primeiro turno em 25 de outubro, mas tendem a somar, nas prévias, menos votos que Scioli como candidato único de seu grupo.

Massa tentou uma aproximação de Macri nas últimas semanas, depois de perder o apoio de políticos que o ajudaram a impor, em 2013, uma derrota a Cristina que a impediu de buscar uma nova reeleição. Macri rejeitou uma aliança, alegando que a presença de um ex-kirchnerista mancharia seu projeto.

O prefeito da capital será o principal rival de Scioli, considerado um moderado no peronismo, do qual o kirchnerismo é uma corrente de esquerda nacionalista. Embora apareça como o nome com mais chance de vencer a eleição, militantes kirchneristas ligados à defesa de minorias, direitos humanos e subsídios sociais o veem com desconfiança por evitar conflitos.

A desistência de Randazzo foi anunciada na manhã de ontem pelo chefe do gabinete de ministros, Aníbal Fernández. Cristina tentou convencer Randazzo a disputar como único nome do partido a Província de Buenos Aires. Em um raro episódio de insubordinação, ele rejeitou a oferta e foi elogiado pelo grupo de Macri.

Randazzo seria franco favorito ao governo da Província, onde estão 38% dos votos do país, o que beneficiaria a candidatura nacional de Scioli. "O governo fica sem um nome forte para disputar a Província, mas a oposição também não tem alguém", pondera Mariel Fornoni, da consultoria M&F. Segundo a última pesquisa desse instituto, Scioli aparece com 33,3% das intenções de voto, Macri tem 32,2% e Massa, 13,8%.

Com a unificação governista, os eleitores que pretendiam votar em Randazzo devem passar a apoiar abertamente Scioli, o que deve elevar o índice do governador de Buenos Aires. Para vencer no primeiro turno, é preciso atingir 45% dos votos válidos ou 40% deles, desde que tenha 10 pontos porcentuais sobre o segundo colocado.

Tudo o que sabemos sobre:
O Estado de S. Paulo

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.