EFE/Ministerio de Seguridad de la provincia de Buenos Aires
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Kirchnerista que controlava obras públicas é preso ao esconder milhões em convento

Ex-secretário de Obras Públicas dos governos de Néstor (2003-2007) e Cristina Kirchner (2007-2015), ele tinha ainda um fuzil semiautomático com munição e destravado, cujo porte era regular, além de notas de euro, ienes e moeda do Catar

Rodrigo Cavalheiro CORRESPONDENTE / BUENOS AIRES, O Estado de S. Paulo

14 Junho 2016 | 17h16

Um funcionário que definia o ritmo da execução de obras públicas durante o kirchnerismo foi flagrado na madrugada desta terça-feira, 14, quando escondia em um convento pelo menos US$ 8,5 milhões de dólares embalados. Deputado do Parlasul e assessor do ex-ministro do Planejamento Julio de Vido, José López foi preso enquanto jogava os fardos de dinheiro sobre o muro do centro religioso em General Rodríguez, a 58 quilômetros de Buenos Aires. A informação de que ele tentava enterrar o dinheiro era falsa.

Ex-secretário de Obras Públicas dos governos de Néstor (2003-2007) e Cristina Kirchner (2007-2015), ele tinha ainda um fuzil semiautomático com munição e destravado, cujo porte era regular, além de notas de euro, ienes e moeda do Catar. O dinheiro estava em cerca de 160 sacolas que ele havia levado ao convento no porta-malas de um carro. Às 5 horas, momento em que foi detido após denúncia de um vizinho que estranhou a movimentação, fazia 8ºC. López ainda tentou subornar os policiais.

O flagrante causou reação imediata na Casa Rosada, que vinha mantendo distância em relação a investigações em curso contra o kirchnerismo. "Não estamos falando de um personagem menor, mas de quem foi secretário de Obras Públicas, gerindo toda a abra pública tão questionada e discutida, por falta de transparência ou corrupção", disse em entrevista coletiva o chefe de gabinete de Mauricio Macri, Marcos Peña. "É algo de cinema", acrescentou. Segundo relato do jornal La Nación, Macri descreveu a ação a seus ministros durante uma reunião de gabinete, o que despertou uma série de críticas e piadas.

A operação policial foi descrita pelo secretário de Segurança da Província de Buenos Aires, Cristian Ritondo. Segundo ele, freiras e vizinhos do lugar disseram que visitas de altos funcionários kirchneristas ao convento eram comuns. Além de López e De Vido, o ex-candidato kirchnerista à presidência Daniel Scioli frequentava missas. Até morrer em abril, ali vivia o arcebispo emérito de Luján, Rubén Di Monte. Segundo uma das religiosas que mora no lugar, durante a ação policial López gritou que seria preso por levar uma quantia que ele trazia de presente para elas. Não havia evidências de que o local fosse usado como esconderijo permanente de dinheiro.

A prisão de López, que respondia a acusações de enriquecimento ilícito, tende a complicar acusações contra De Vido, espécie de superministro de Cristina. A Justiça busca confirmar a ligação entre ele e o empreiteiro Lázaro Báez kirchnerista, preso há dois meses por lavagem de dinheiro. Báez chegou a ganhar mais de 80% das licitações  na Província de Santa Cruz, no sul do país, berço político dos Kirchners. De Vido foi citado como possível beneficiário de propina em depoimento prestado por Nestor Cerveró como parte da operação da Lava Jato.

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