REUTERS/Enrique Marcarian
REUTERS/Enrique Marcarian

Candidato kirchnerista se distancia de debate inédito

Daniel Scioli afirma que só participará de debates se houver uma lei que os regule aprovada pelo Parlamento

Rodrigo Cavalheiro, CORRESPONDENTE / BUENOS AIRES, O Estado de S. Paulo

24 Setembro 2015 | 13h08

BUENOS AIRES - O candidato kirchnerista à presidência argentina, Daniel Scioli, declarou na quarta-feira 23 que não participará de debates a menos que passe pelo Parlamento uma lei que os regule. A condição, imposta a 11 dias da realização de um deles, foi interpretada por parte dos meios de comunicação argentinos como uma recusa definitiva. O governista, líder na disputa segundo todas as pesquisas - os institutos divergem sobre sua vantagem e a necessidade de um segundo turno -, citou em entrevista à rádio La Red a condição para participar de um confronto inédito no país.

 

"É o momento de o Congresso institucionalizar o tema dos debates", afirmou Scioli, detentor de 39,2% dos votos na eleição primária de 9 de agosto, que por ser obrigatória indica o patamar de que partem os candidatos. A coalizão de seu principal oponente, o conservador Mauricio Macri, prefeito de Buenos Aires, teve 30%. Em terceiro, chegou o ex-kirchnerista Sergio Massa, cujo grupo chegou a 20,5%. Pesquisas recentes apontam uma manutenção desses números, com pequenas variações que indicam ou não um segundo turno em 22 de novembro. Os porcentuais sugerem que o governista está próximo de definir a disputa em 25 de outubro. Para isso, precisará superar os 40% e abrir 10 pontos sobre o segundo colocado. 

 

Como nunca houve debate presidencial na Argentina, em geral por recusa de quem era o favorito, não se sabe o impacto que poderia ter uma bancada vazia com o nome de Scioli. Logo depois de seu chefe de gabinete, Alberto Pérez, reafirmar a exigência de uma lei que "impeça manobras nos debates", políticos kirchneristas questionaram a idoneidade dos dois encontros em negociação. Um deles, marcado para o dia 4 na Faculdade de Direito da Universidade de Buenos Aires, é organizado por pela ONG Argentina Debate. Outro é iniciativa do canal TN, do Grupo Clarín, com que o kirchnerismo tem má relação, mas Scioli mantém contatos cordiais. A presidente Cristina Kirchner, por meio da Lei de Mídia, tentou desmembrar a maior empresa de comunicação argentina, mas o processo foi barrado por liminares na Justiça.

 

Macri e Massa criticaram o rival por se distanciar do debate. O prefeito da capital argentina o acusou de não querer expor suas ideias. "A pergunta é por que Scioli não quer explicar à população suas propostas", afirmou. Massa ironizou a relação do governista com a presidente - opositores argumentam que a influência de Cristina não permitirá que ele administre o país de fato. "Scioli teria que decidir se quer debater, mas Cristina não deixa", provocou.

 

Cristina ataca Macri. Na noite desta quarta-feira, na 39.ª cadeia nacional do ano, Cristina como de costume inaugurou obras em diferentes províncias por teleconferência e enquanto atacou a oposição. Seu principal alvo foi Macri, que defende um ajuste econômico para controlar a inflação, restabelecer as reservas, reduzir o déficit fiscal e normalizar o comércio exterior. "Os que querem ajustes são os que nunca passaram fome, os que nunca passaram necessidade. Os que vieram de baixo sabem a necessidade de um Estado forte", disse na Província de Misiones, onde participou da abertura de um hospital pediátrico. A presidente também celebrou a inauguração de uma estrada que, segundo ela, diminuirá em 100 quilômetros o trajeto de argentinos até Florianópolis. 

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