AFP / Daniel Vides
AFP / Daniel Vides

Kirchnerista visita área inundada após voltar da Itália

Daniel Scioli diz que sem obras feitas em seus oito anos de governo situação seria pior; parte dos 6 mil desalojados começa a voltar para casa

Rodrigo Cavalheiro / CORRESPONDENTE BUENOS AIRES, O Estado de S. Paulo

14 de agosto de 2015 | 18h27

O candidato kirchnerista à presidência argentina, Daniel Scioli, visitou na manhã desta sexta-feira, 14, a cidade de Salto, uma das mais atingidas pela inundação decorrente de dez dias de chuva na Província de Buenos Aires, que ele governa há oito anos. O político, considerado um peronista moderado, afirmou depois de visitar famílias desabrigadas que, se obras não tivessem sido feitas nos últimos anos, a situação seria pior.

Ele enfrenta críticas desde que decidiu viajar para a Itália, na terça-feira, após a eleição primária em que obteve 38,6% dos votos e o posicionou como favorito para a votação de 25 de outubro. Ciente das reprovações e da ajuda oferecida aos desabrigados por seus rivais na disputa pela presidência, ele voltou à Argentina depois de passar cinco horas em Roma. 

Nesta sexta-feira, o candidato a substitui-lo no cargo, Aníbal Fernández, número 2 do governo de Cristina Kirchner, descreveu uma brincadeira que não ajudou a desviar a atenção sobre a criticada viagem e até foi interpretada por alguns analistas como "fogo amigo". "Falei com ele e perguntei se tinha trazido alguns alfajores da Itália", afirmou Fernández a jornalistas. Ele enfrenta denúncias de envolvimento com o narcotráfico e com um triplo homicídio, feitas uma semana antes da primária. Fernández venceu a disputa interna kirchnerista, movimento favorito para ocupar o governo regional.

Outro sinal de descoordenação do governo foi um tuíte da embaixadora argentina na Organização dos Estados Americanos, Nilda Garré. Na rede social, ela elogiou a presidente Cristina Kirchner por ter visitado os locais atingidos. Embora tenha mobilizado seus ministros para dar declarações durante a ausência de Scioli, a presidente não aparece desde domingo, dia da votação.

Quando Scioli chegou à Argentina, encontrou um quadro de 40 municípios inundados e 6 mil habitantes desalojados. Sua primeira medida foi decretar na quinta-feira uma situação de emergência hídrica. "Depois da eleição, com a avaliação de que a água estava baixando, viajei. Quando me informaram da ameaça do vento Sudeste (que eleva o nível do Rio da Prata e prejudica escoamento de rios menores) decidi voltar e em 24 horas cheguei", justificou Scioli. O governo prometeu isenção de impostos para os atingidos pelos alagamentos, bem como aumento dos subsídios. 

Scioli complementou dizendo que o estresse da campanha causou dores que exigiam uma consulta médica – uma vez por ano, ele ajusta na Itália a prótese que usa desde que perdeu o braço direito em uma corrida de lancha em 1989. Ele também teria reuniões com políticos e empresários. Após culpar as mudanças climáticas pela intensidade das chuvas, acusou os rivais na disputa pela presidência de “demagogia”.

O principal opositor, Mauricio Macri, cujo grupo teve 30% na prévia, prefeito de Buenos Aires, enviou ajuda a cidades atingidas. O ex-kirchnerista Sergio Massa (sua coalizão teve 20,6%) acusou Scioli de gastar em publicidade em vez de investir em para obras nas bacias dos rios. O nível da água começou a baixar nesta e a previsão é de sol no fim de semana. Estima-se que levará duas semanas para que todas famílias voltem a suas casas.

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