Marcos Brindicci/Reuters
Marcos Brindicci/Reuters

Kirchnerista volta da Itália após rival enviar ajuda a vítimas de alagamentos

Governador de região com 4 mil desalojados, Scioli interrompe viagem à Europa; Macri, principal opositor, criticou ausência

Rodrigo Cavalheiro, Correspondente, Argentina, O Estado de S. Paulo

13 de agosto de 2015 | 02h00

O candidato governista à presidência argentina, Daniel Scioli, decidiu ontem ao aterrissar na Itália retornar à Argentina, onde a província que ele governa está inundada após uma semana de chuva que elevou em até 5 metros o nível dos rios. Durante o voo, seu principal opositor, o prefeito de Buenos Aires, Mauricio Macri, mandou ajuda para alguns dos 40 municípios atingidos e criticou a “ausência” das autoridades.

Uma vez por ano, Scioli vai à Itália para tratamento e readaptação da prótese do braço direito, que perdeu em 1989, quando era piloto de lancha. Ele aproveitaria a viagem à Europa para reuniões com políticos italianos e russos. Em uma estratégia para mostrar-se já como um líder com projeção internacional, Scioli viajou nos últimos meses a Cuba e ao Brasil, onde se encontrou com o presidente Raúl Castro e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

“Ele não fez o tratamento médico. Decidiu estar na Argentina”, afirmou o chefe de sua campanha, Alberto Pérez, ao canal C5N, próximo ao kirchnerismo. Hoje de manhã, Scioli deve ter uma reunião de emergência com seus secretários.

A Província de Buenos Aires, que ele governa há oito anos, concentra 37% dos eleitores do país. Na primária de domingo, quando já havia 1,5 mil desabrigados, a participação foi 5 pontos porcentuais mais baixa na região do que na de 2011. O candidato presidencial governista teve 39,4% dos votos na província – no país, ficou com 38,4% – uma votação inferior à de sua eleição para o governo. Uma das explicações para o desempenho aquém do esperado foi a queda na participação, mas também uma resposta de eleitores descontentes.

A coalizão de Macri, que teve 30% na primária, superou, com 29%, a expectativa numa região dominada historicamente pelo peronismo. Num dos municípios mais atingidos, San Antonio de Areco, o prefeito kirchnerista Francisco “Paco” Durañona apelou aos eleitores para que não postassem fotos na internet, quando a inundação começou, para não prejudicar o turismo na região. Candidato à reeleição, foi derrotado na prévia pelo rival do PRO.

Ontem, Durañona foi um dos que reclamaram da ausência do Estado. “Os prefeitos estão se queixando da ausência do governo da província. Estamos levando ajuda aos que se dizem abandonados”, disse Macri. O opositor que ficou em terceiro na primária entre os presidenciáveis, Sergio Massa (20,6% na eleição), também aproveitou o momento.

“Não é hora de buscar culpados. Mas se US$ 200 milhões tivessem sido investidos há dois anos em obras, e não em publicidade, isso teria sido evitado”, disse. “Em qualquer outro país, o caso poderia ameaçar a eleição de Scioli. Mas na Argentina é difícil prever”, disse ao Estado Pablo Knopoff, diretor da consultoria política Isonomía.

Para vencer no primeiro turno, o kirchnerista precisa alcançar 45% dos votos válidos, ou 40% com 10 pontos sobre o segundo colocado.


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