Kirchners evitam falar sobre viagem ao Brasil

A primeira-dama argentina, Cristina Fernández de Kirchner, participou ontem - ao lado do presidente Néstor Kirchner - da inauguração da fábrica da empresa brasileira de calçados Paquetá na cidade de Chivilcoy, 200 quilômetros a oeste de Buenos Aires. A inauguração ocorreu a menos de 24 horas do encontro que a mulher de Kirchner - e candidata do governo às eleições presidenciais do dia 28 - terá hoje com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em Brasília.Na seqüência, Cristina foi a um comício no centro de Chivilcoy, onde 2 mil pessoas agitavam bandeirinhas argentinas e gritavam seu nome. Ao deixar o palanque, indagada pelos correspondentes brasileiros sobre a importância de sua viagem ao Brasil em plena campanha eleitoral, a candidata governista respondeu em tom de repreensão: ''''O Brasil é nosso principal sócio comercial! Vocês acham que isso é pouco?'''' Rodeada de guarda-costas, apesar da tranqüilidade da cidade interiorana, Cristina encerrou abruptamente sua declaração.O presidente Kirchner, também foi instado a dar detalhes sobre o objetivo da viagem de Cristina a Brasília, mas desconversou: ''''Muito bem, muito bem!''''O casal Kirchner é famoso pela aversão ao contato com jornalistas. Em quatro anos e meio de governo, os dois recusaram-se a dar entrevistas para os correspondentes de jornais estrangeiros.Cristina é a favorita nas pesquisas, segundo as quais ela teria 45% dos votos, o suficiente para vencer no primeiro turno.INVESTIMENTO BRASILEIRODurante o comício tanto o presidente quanto a primeira-dama omitiram referências à viagem ao Brasil ou à importância dos investimentos brasileiros na Argentina (o Brasil converteu-se, em cinco anos, no terceiro maior investidor estrangeiro no país). Cristina fez uma lacônica alusão à fábrica que inaugurara minutos antes: ''''Passei pela fábrica da Paquetá.''''Os Kirchners fizeram uma aparição bastante rápida inauguração da fábrica, que produzirá 600 mil pares de calçados por ano. O plano da Paquetá é o de produzir 2 milhões de pares em 2011.Desde a crise de 2001, grupos brasileiros adquiriram o controle de empresas argentinas, entre as quais a companhia energética Pérez Companc (comprada pela Petrobrás), a cervejaria Quilmes (absorvida pela AmBev) e a empresa de cimento Loma Negra (comprada pela Camargo Corrêa).

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