Kirchners querem lei de restrição à mídia nesta semana

Para conseguir a aprovação, aliados de Kirchner precisariam votos de 129 dos 257 deputados

ARIEL PALACIOS, CORRESPONDENTE, Agencia Estado

13 de setembro de 2009 | 16h46

Os aliados da presidente Cristina Kirchner na Câmara de Deputados estão exercendo intensa pressão para tentar levar ao plenário, ainda nesta semana, o polêmico projeto da lei de radiodifusão que restringe os atuais grupos de mídia na Argentina.

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Os analistas políticos calculam que o governo poderá chegar à votação com um número ajustado de parlamentares. O governo afirma que a nova lei "acabará com os monopólios", enquanto que a oposição e as empresas de mídia retrucam, afirmando que implicará em restrições à liberdade de imprensa.

Para conseguir a aprovação, o governo precisaria votos de 129 dos 257 deputados. Segundo diversas estimativas, a presidente Cristina e seu marido e ex-presidente Néstor Kirchner (2003-2007) - considerado o verdadeiro poder no governo de sua esposa - possuíam há uma semana entre 130 e 134 deputados favoráveis. Mas uma controvertida blitz do Fisco realizada contra o jornal "Clarín" na quinta-feira teria provocado a perda de quatro a dez parlamentares para o governo.

O projeto de lei dos Kirchners reduz o número de licenças que os atuais grupos de mídia, abre o caminho para a entrada das companhias telefônicas (amigáveis com os Kirchners) no segmento de televisão e favorece a presença de sindicatos e organizações sociais (tradicionalmente aliados dos Kirchners) na mídia.

O "Clarín" indicou hoje que a blitz protagonizada pela Agência Federal de Receitas Públicas (Afip) na quinta-feira na sede do jornal em Buenos Aires teria sido organizada por altas autoridades da Secretaria de Inteligência (Side), o serviço secreto argentino.

Na quinta-feira, 200 inspetores do Fisco apareceram inesperadamente nas portas do "Clarín" para uma operação de fiscalização sem precedentes em uma empresa privada no país. Além disso, 100 inspetores fiscalizaram as residências de dez diretores e outras empresas do Grupo Clarín em diversas cidades.

No dia seguinte o chefe do gabinete de ministros, Aníbal Fernández, declarou que o governo não havia ordenado a blitz, e que esta "havia sido paga por alguém". No entanto, segundo o "Clarín", a blitz teria sido ordenada por Francisco Larcher, o número dois da Side. "Essa ordem teve a permissão (do ex-presidente Néstor) Kirchner", sustentou o jornal "Perfil". "Alguém deveria assumir a responsabilidade" pela blitz, criticou neste domingo o "Clarín".

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