Kirchners usam máquina do Estado em campanha

Presidente não hesita em aumentar gastos oficiais para impulsionar candidatura de sua mulher

Ariel Palacios, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2001 | 00h00

O presidente argentino, Néstor Kirchner, não está hesitando em aumentar o gasto oficial para consolidar sua imagem e impulsionar a candidatura de sua mulher, Cristina Fernández de Kirchner, nas eleições presidenciais de 28 de outubro. Segundo um relatório da Fundação Poder Ciudadano, em quatro anos de governo o gasto em publicidade oficial teve um aumento de 353,89%.Em 2003, quando chegou ao poder com apenas 22% dos votos (o resultado mais fraco na história do país), Kirchner investiu amplamente em publicidade - elevando esse gasto em 115,73% em relação ao ano anterior para tentar afirmar sua imagem e conseguir apoio popular. Entre 2004 e 2005, no meio de seu mandato, a despesa nessa área subiu menos: 27,7%. No entanto, entre 2005 e 2006, esse gasto voltou a disparar, registrando um aumento de 64,76%.Os dados do Poder Ciudadano têm como base números oficiais da agência estatal de notícias Télam - que, além de divulgar informações, centraliza a distribuição de publicidade oficial, da qual depende para sobreviver a imensa maioria dos jornais do interior do país.Os gastos de US$ 70 milhões em publicidade em 2006 (ano em que o casal presidencial deixou claro que pretendia permanecer no poder) superam os fundos destinados às bolsas de estudo para 500 mil estudantes carentes. Também ultrapassaram a verba para o programa federal de fornecimento de medicamentos para 230 mil pacientes com aids nos hospitais públicos ou a verba para os 1.800 refeitórios comunitários sustentados pelo governo.Segundo o Centro de Aplicação de Políticas Públicas para a Eqüidade e o Crescimento (Cippec), para este ano, o orçamento nacional prevê um aumento de verbas de 20,5% para a saúde e de13,2% para a educação. No entanto, segundo o Poder Ciudadano, a publicidade oficial deve ter um aumento de 43,6%.A oposição critica Kirchner por usar a máquina do Estado para a campanha política de sua mulher. ''''É um escândalo a forma como o governo usa o dinheiro dos argentinos para comprar líderes políticos e cooptar os meios de comunicação'''', declarou o senador Gerardo Morales, presidente da União Cívica Radical (UCR). Morales é candidato a vice do ex-ministro da Economia Roberto Lavagna, que concorre à presidência.O jornal Perfil noticiou que o governo está alugando um helicóptero Bell 247 para uso de Cristina por US$ 3.500 a hora, apesar de a presidência contar com outros dois helicópteros. Cristina - que é senadora e não integra formalmente o Executivo - fez, recentemente, sete viagens ao exterior. Segundo o governo, ela está ''''cumprindo missões no exterior''''. Em vez de contar com um comitê próprio de campanha, Cristina utiliza secretários e assessores do gabinete presidencial. Seu comício de lançamento foi transmitido pelo Canal 7, a emissora estatal de TV.

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