Kissinger cancela viagem ao Brasil por medo de ser preso

O ex-secretário de Estado dos Estados Unidos Henry Kissinger cancelou nesta segunda-feira a visita que faria ao Brasil em março por causa de pressões internacionais. Na verdade o juiz espanhol Baltazar Garzón, responsável pela prisão de Augusto Pinochet há alguns anos, ameaçou mandar prender Kissinger por causa de seu papel na ditadura no Chile. Kissinger havia sido convidado pela Congregação Israelita Paulista (CIP) para fazer uma palestra em São Paulo, em 12 de março, sobre a paz no mundo depois de 11 de Setembro. Seria uma homenagem ao ex-secretário, que já recebeu o Premio Nobel da Paz durante a passagem do 65º aniversário da CIP. "Sabe-se, extra-oficialmente, que certos grupos estão protestando contra a homenagem que seria prestada a Kissinger, e por isso ele decidiu evitar situações politicamente constrangedoras", afirmou o rabino Henry Sobel, presidente do rabinato da CIP. O rabino disse que foi informado pelo juiz espanhol sobre a possibilidade de Kissinger ser preso por seus "antecedentes discutíveis" na questão do Chile. Sobel sabia que havia suspeitas de envolvimento do governo norte-americano no golpe de 1973 no Chile, mas nunca imaginou problemas desse tipo. E, além disso, achou que haveria muito mais pontos positivos na visita do ex-secretário. "Não pensei que houvesse pressão internacional contra sua vinda", disse Sobel. Para comemorar o aniversário, a CIP decidiu então convidar o presidente Fernando Henrique Cardoso. "Não como substituto, pois ele é um estadista muito maior para ser considerado substituto." Fernando Henrique vai falar sobre a paz e participar de um jantar no dia 13 de março no Buffet França. "Temos sorte de ter um presidente e um amigo como ele", afirmou Sobel. Do exterior, estará presente o rabino Joseph Potasnik, presidente do New York Board of Rabbis e capelão dos bombeiros de Nova York.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.