Kissinger critica Brasil por aproximação com Irã

Henry Kissinger, ex-secretário de Estado dos EUA e uma das figuras mais influentes na diplomacia de Washington por décadas, classificou de "decepcionante" a política externa do Brasil para o Irã. O homem forte do governo Richard Nixon (1969-1974) alertou que a estratégia de negociação "não funcionou" com Teerã.

Jamil Chade CORRESPONDENTE / GENEBRA, O Estado de S.Paulo

11 de setembro de 2010 | 00h00

"Estou muito decepcionado com essa aproximação", afirmou ao Estado Kissinger, que participou ontem em Genebra de um evento sobre segurança internacional.

Enquanto Kissinger falava, cerca de cem manifestantes chilenos e argentinos tomaram a rua do local do evento para protestar. Eles acusam o ex-secretário de Estado de patrocinar golpes e sustentar ditaduras nos anos 70. Hoje, o chanceler Celso Amorim discursará no mesmo fórum.

"Há diferenças entre os EUA e seus aliados (sobre o Irã). Todos compartilham a visão da importância de prevenir a proliferação nuclear. Mas nem todos têm a mesma vontade política e não estão preparados para adotar pressões que possam ameaçar o regime", disse Kissinger, de 85 anos. "Por isso, a vontade de aplicar pressão acaba limitada por medidas que são insuficientes."

Para o ex-secretário, o poder americano está em declínio e Washington terá de "compartilhar a responsabilidade pela ordem internacional". No entanto, Kissinger disse não acreditar que o mundo possa ser "dividido em hegemonias regionais", tendo à frente potências como Brasil, Índia e China.

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