Kissinger quis punir quem criticasse ditaduras latinas

O ex-secretário de Estado americano Henry Kissinger criticou e ameaçou punir subordinados que denunciassem abusos das ditaduras militares no Chile e na Argentina na década de 70, mostraram documentos oficiais tornados públicos. Segundo transcrição de uma conversa realizada em junho de 1976 com William Rogers, então subsecretário de Estado para a América Latina, Kissinger classificou de "um ultraje infame" críticas feitas por um diplomata do Departamento de Estado ao regime do ditador chileno Augusto Pinochet. "Eu não me tornei um superliberal. Esta não é uma instituição que irá humilhar os chilenos", disse. De acordo com os documentos do Arquivo de Segurança Nacional, um centro de pesquisa de relações exteriores em Washington, Kissinger sugeriu que o funcionário, Robert White, fosse demitido por sugerir esforços para convencer Pinochet a respeitar os direitos humanos. "Por que não tiramos ele?" sugeriu Kissinger. O ex-secretário admitiu a Rogers não ter interesse em acabar com a ditadura chilena naquele momento. "Não estou na mesma sintonia de você nessa questão. Eu apenas não estou ansioso para derrubar esses caras?. Kissinger também se irritou com críticas à ditadura militar na Argentina. Falando com um alto assessor para a América Latina, o ex-secretário de Estado do presidente Richard Nixon reclamou de um protesto diplomático apresentado à junta militar argentina pela escalada de violações dos direitos humanos. "De que forma isso é compatível com minha política?" questionou Kissinger. "Quero saber quem fez isso e considere a transferência dele", acrescentou.

Agencia Estado,

01 Outubro 2004 | 16h06

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