Martial Trezzini/Efe
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Kofi Annan deixa cargo de enviado especial da ONU à Síria, diz Ban

Diplomata abandonará o plano de paz das Nações Unidas após o dia 31 de agosto

Gustavo Chacra, correspondente em Nova York,

02 de agosto de 2012 | 13h26

Texto atualizado às 14h13

NOVA YORK - Com os confrontos entre as forças do regime de Bashar Assad e a oposição se intensificando em Aleppo, centro econômico da Síria, o ex-secretário geral da ONU Kofi Annan decidiu anunciar que deixará o posto de mediador do conflito no fim deste mês.

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A decisão foi tomada diante do fracasso para implementar os seis pontos de seu plano para encerrar a violência e iniciar uma transição política no país. Desde quando a proposta foi adotada quatro meses atrás, não houve avanço e a presença dos observadores da ONU é quase irrelevante.

"Tragicamente, a espiral de violência na Síria continua. A mão estendida para nos distanciarmos na violência em direção ao diálogo e diplomacia, por meio do plano de seis pontos, não foi aceita, embora ainda seja a maior esperança para a Síria", disse o secretário-geral da ONU, Ban ki-Moon, ao anunciar a saída de seu antecessor.

Não está definido ainda quem substituirá Annan no posto de mediador e tampouco se plano será mantido depois do fim da renovação do mandato dos 150 observadores ainda neste mês. Os EUA e seus aliados europeus querem a adoção de sanções no Conselho de Segurança. A Rússia e a China, que possuem poder de veto no órgão decisório máximo das Nações Unidas, até agora tem sido contra.

Na Síria, muitos opositores viam Annan como favorável ao regime, dando tempo para Assad seguir com a sua repressão. Também havia insatisfação entre alguns países, como os EUA, com a insistência em colocar o Irã no grupo de diálogo para a resolução da crise.

Durante o mandato dele, o regime intensificou a repressão, com o uso até mesmo da Força Aérea. A oposição também se tornou mais violenta e há relatos de execuções de simpatizantes do regime e o uso armas pesadas, incluindo tanques.

A decisão de Annan ocorre em meio a discussões na Assembleia Geral da ONU para aprovar uma resolução no órgão condenando Assad. Mesmo aprovado, como é provável, o texto teria peso apenas simbólica, sem a necessidade de adoção pelos 193 membros das Nações Unidas como seria no caso do conselho.

A resolução, proposta pela Arábia Saudita e Qatar, que abertamente armam a oposição, busca mostrar que Assad estaria isolado na comunidade internacional. Também seria uma forma de colocar a Rússia e a China contra a parede. Opositores do texto apresentado por Riad lembram que os sauditas tem reprimido protestos no leste do país e ajudaram na violenta repressão contra a oposição em Bahrain, como dezenas de mortos, centenas de torturados e milhares de detidos.

Repercussão

Segundo a agência de notícias AFP, o governo sírio lamentou a decisão de Annan.

A Rússia também lamentou a renúncia de Kofi Annan, informou hoje o embaixador russo na ONU, Vitaly Churkin. "Nós entendemos que é uma decisão dele, mas lamentamos", disse Churkin a jornalistas, reiterando que o país sempre apoiou a missão de Annan.

Diplomatas do Conselho disseram reservadamente que os Estados Unidos e países do Golfo Árabe se tornaram cada vez mais frustrados nas últimas semanas com o que viram como um "compromisso obstinado de Annan para a diplomacia", em um momento que acreditavam que todos os caminhos para o diálogo com o presidente sírio, Bashar al-Assad, foram esgotados.

Os diplomatas ocidentais também culparam a Rússia e a China por vetarem três resoluções do Conselho de Segurança, destinadas a inflar a pressão sobre Assad para o fim dos ataques contra civis, que se tornaram uma guerra civil em grande escala.

 

 

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