Kofi Annan diz que acordo no Quênia pode sair em dias

Ex-secretário da ONU diz que solução para crise que já deixou mais de mil mortos pode sair na semana que vem

Efe, REUTERS

08 de fevereiro de 2008 | 12h46

O ex-secretário-geral da ONU Kofi Annan disse nesta sexta-feira, 8, que os partidos políticos do Quênia estão próximos de alcançar um acordo para pôr um fim à crise política que deixou mais de mil mortos no país desde o fim do ano passado.   Veja também: Entenda o conflito no Quênia      Annan, que intermedeia as negociações entre o partido governista do presidente Mwai Kibaki e do oposicionista Movimento Democrático Laranja (ODM), liderado por Raila Odinga, acredita que uma solução pode ser alcançada já no início da semana que vem.   "Sinceramente, espero que eles concluam os trabalhos por um acordo para os temas políticos até o início da próxima semana", apontou Annan.   Os negociadores do ODM e os do governo mantêm conversas a portas fechadas desde a semana passada, quando concordaram em procurar uma solução para uma crise desencadeada pelas eleições gerais de 27 de dezembro, qualificadas de fraudulentas pela oposição.   Os protestos gerados pelo resultado das eleições, que deixaram mais de mil mortos e 300 mil deslocados, foram agravados pelo ódio racial entre membros da etnia de Kibaki e da de Odinga, abalando a imagem de um país antes tido como um estável centro empresarial, turístico e de transportes do leste africano.   Mais cedo nesta sexta-feira, um dos negociadores do ODM disse que sua legenda havia chegado a um acordo para formar um governo conjunto com o partido do governo, mas a versão foi desmentida por assessores de Kibaki.   Segundo Mutula Kilonzo, membro da equipe de negociadores do governo, o processo apresentou alguns progressos. Annan, que lidera os esforços para reaproximar as duas partes em conflito no Quênia, disse mais cedo que as negociações não poderiam se dar ao luxo de fracassarem - algo com que Kilonzo concordou.   "Não podemos permitir que nosso povo use arcos e flechas, que as pessoas sejam retiradas de ônibus e questionadas sobre a língua que falam antes de serem mortas a facadas", disse Kilonzo.   Os negociadores acertaram os princípios sobre os quais deve apoiar-se um acordo capaz de colocar fim à violência e ajudar os refugiados. Mas ainda discutem sobre quem venceu a eleição e sobre o que fazer daqui para frente.   Chanceleres dos países-membros da Autoridade Intergovernamental para o Desenvolvimento (Igad, um bloco regional) deram apoio a Annan na sexta-feira, rejeitando acusações da oposição queniana de que visitavam o Quênia para lançar negociações em separado, minando o ex-líder da ONU. Falando em nome de seus colegas, o ministro etíope das Relações Exteriores, Seyoum Mesfin, disse que Annan havia sido convocado pela União Africana (UA) e que todo o continente reconhecia a autoridade dele. "A proliferação de iniciativas nunca ajudou ninguém", afirmou.   Os países do Igad já vivenciaram experiências ruins com iniciativas de paz anteriores, disse Mesfin, referindo-se à Somália, ao Sudão e ao conflito fronteiriço entre a Etiópia e a Eritréia. O Quênia ocupa atualmente a Presidência rotativa do bloco e conseguiu garantir entre os membros a disposição para realizar iniciativas de paz.   Texto atualizado às 21h28

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