Vahid Salemi/AP
Vahid Salemi/AP

Kofi Annan renuncia o cargo de enviado especial da ONU à Síria

Diplomata abandonará o plano de paz das Nações Unidas após o dia 31 de agosto

estadão.com.br,

02 de agosto de 2012 | 11h55

Texto atualizado às 12h51

NOVA YORK - O diplomata Kofi Annan renunciou nesta quinta-feira, 2, a renúncia como enviado especial da ONU e da Liga Árabe à Síria. Ele deixará o cargo no dia 31 de agosto, segundo o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, que já busca um sucessor.

Veja também:

linkRebeldes sírios bombardeiam aeroporto militar em Alepo

linkBarack Obama autorizou ajuda da CIA a insurgentes sírios

forumCURTA NOSSA PÁGINA NO FACEBOOK

"Eu anuncio com profundo pesar a renúncia do enviado especial à Síria, Kofi Annan", disse Ban em um comunicado, que lamentou a partida de Annan, uma vez que a violência continua na Síria. "Kofi Annan merece a nossa profunda admiração pela forma que utilizou seus formidáveis ​​talentos e prestígio nesta tarefa difícil e potencialmente ingrata", acrescentou.

Ban disse também que já iniciou as negociações com o Secretário Geral da Liga Árabe, Nabil al Arabi, para "designar um sucessor rapidamente, para que ele possa continuar os esforços pela paz".

As ações do governo contra os rebeldes continuam. O plano diplomático de seis pontos de Annan, que visa o fim do conflito na Síria - incluindo a cessação dos combates entre exército e rebeldes e transição política - não chegou a ser implementado.

Em entrevista coletiva em Genebra, Kofi Annan disse que "é impossível para mim ou para qualquer outra pessoa convencer o governo e a oposição a dar os passos necessários para abrir um processo político". Ele também voltou a denunciar a falta de unidade na comunidade internacional para pôr fim a 17 meses de conflito armado.

Repercussão

A Rússia também lamentou a renúncia de Kofi Annan, informou hoje o embaixador russo na ONU, Vitaly Churkin. "Nós entendemos que é uma decisão dele, mas lamentamos", disse Churkin a jornalistas, reiterando que o país sempre apoiou a missão de Annan.

Diplomatas do Conselho disseram reservadamente que os Estados Unidos e países do Golfo Árabe se tornaram cada vez mais frustrados nas últimas semanas com o que viram como um "compromisso obstinado de Annan para a diplomacia", em um momento que acreditavam que todos os caminhos para o diálogo com o presidente sírio, Bashar al-Assad, foram esgotados.

 

Os diplomatas ocidentais também culparam a Rússia e a China por vetarem três resoluções do Conselho de Segurança, destinadas a inflar a pressão sobre Assad para o fim dos ataques contra civis, que se tornaram uma guerra civil em grande escala.

Com agências de notícias

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.