Kosovo enfrenta dilema parecido ao que precedeu a guerra

Conflito de 1999 começou depois que província tentou se separar da Sérvia. Agora, ONU discute plano para independência, mas Belgrado mantém oposição

Agencia Estado

15 Junho 2007 | 02h48

A guerra pela pacificação da província autônoma de Kosovo, na Sérvia, marcou o ano de 1999. Por 78 dias, forças da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), lideradas pelos EUA, bombardearam a região predominantemente albanesa com o objetivo de libertá-la do controle repressivo sérvio. A violência, entretanto, eclodiu um ano antes, quando o Exército de Libertação de Kosovo, apoiado pela maioria étnica albanesa, rebelou-se contra o governo iugoslavo do ditador de origem sérvia Slobodan Milosevic - que morreu, aparentemente vítima de um ataque cardíaco, em março do ano passado, enquanto esperava para ser sentenciado pelo Tribunal Penal Internacional para a ex-Iugoslávia. Milosevic era acusado de ter posto em prática um plano de limpeza étnica em Kosovo, em represália às ambições separatistas da província. O conflito teve como resultado a morte de milhares de pessoas, além do êxodo de centenas de milhares de kosovares de origem albanesa para países vizinhos. Com o fim da guerra, Kosovo passou a ser administrada pela ONU e protegida pela Otan. Embora isso lhe coloque na condição de protetorado da ONU, a região é legalmente parte da Sérvia - o que tem gerado uma acalorada disputa pelo status final da província. A Sérvia se opõe à independência de Kosovo, o que contraria o interesse da maioria albanesa que vive no território (90% da população kosovar) e já desperta temores de um novo conflito na região. Independente das posições internas, o status final de Kosovo será decidido pelo Conselho de Segurança da ONU, que dará o voto final sobre um plano proposto pelo enviado da ONU e ex-presidente da Finlândia, Martti Ahtisaari. Além de garantir amplos direitos aos membros da minoria sérvia que decidirem permanecer em Kosovo, o plano de Ahtisaari prevê a concessão de autonomia - sob supervisão internacional - para a região. O projeto de Ahtisaari também contempla que Kosovo tenha bandeira, hino, Exército e Constituição próprios. Além de acirrar os ânimos dos nacionalistas sérvios e separatistas albaneses, a questão também tem servido para deteriorar as já abaladas relações entre os Estados Unidos e a Rússia. Em recente visita à Albânia, o presidente George W. Bush disse que os Estados Unidos reconheceriam a independência de Kosovo unilateralmente caso a comunidade internacional não o faça. A Rússia, entretanto, é abertamente contrária à concessão de qualquer autonomia a Kosovo. Para o Kremlin, uma sinalização nesse sentido abriria um precedente para que regiões separatistas russas, como a Chechênia, reivindiquem a independência. Novos conflitos Em fevereiro de 2007, uma explosão danificou três veículos da ONU em Kosovo. A guerrilha Exército de Libertação de Kosovo - que era dada como dissolvida desde 1999 - assumiu a autoria do ataque, segundo jornais locais. Em outro episódio, uma grande manifestação em Pristina, capital de Kosovo, terminou em confronto entre a polícia e milhares de ativistas albaneses, que exigiam independência. O resultado: dois mortos, um ferido em estado grave, pelo menos 15 detidos e a renúncia, dois dias depois, do ministro do Interior, Fatmir Rexhepi.

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