Mustafa Kamaci/Turkish Presidential Press Office/Handout via Reuters
Mustafa Kamaci/Turkish Presidential Press Office/Handout via Reuters

Kremlin adverte que Turquia vai 'esmagar' curdos que não deixarem nordeste da Síria

Declaração vem após acordo entre russos e turcos para solucionar a questão no nordeste da Síria; curdos têm prazo de 150 horas para se retirar de 'zona segura'

Redação, O Estado de S.Paulo

23 de outubro de 2019 | 04h54

MOSCOU - O Kremlin advertiu nesta quarta-feira, 23, que se as milícias curdas não se retirarem da zona segura no nordeste da Síria, delimitada nesta terça, 22, após acordo entre Moscou e Ancara, serão "esmagadas" pelo Exército turco.

O Kremlin afirmou que caso os curdos não se retirem, "então os guardas de fronteira da Síria e a Polícia Militar russa terão que se retirar. E, de fato, as unidades curdas restantes ficarão sob o rolo compressor do exército turco", disse o porta-voz presidencial, Dimitri Peskov.

O acordo citado pelo Kremlin foi firmado entre o presidente russo, Vladimir Putin, e o turco, Recep Tayyip Erdogan, na terça-feira, 22, em Sochi. Os presidentes aprovaram um memorando com dez pontos. Em razão do acordo, russos e sírios garantiram a retirada das milícias curdas da fronteira turca em um prazo de 150 horas, pouco menos de uma semana.

No caso dos curdos negarem a retirada, russos e turcos realizarão patrulhas conjuntas em uma zona de 10 quilômetros a partir da fronteira, a fim de evitar que grupos terroristas se infiltrem na região.

Além disso, Peskov denunciou o que ele classificou como uma "traição" dos Estados Unidos ao curdos, ao retirar suas tropas da Síria. A retirada teria propiciado o início da operação militar turca, segundo o porta-voz.

"Os Estados Unidos foram, durante os últimos anos, o aliado mais próximo aos curdos. Finalmente, abandonou aos curdos, de fato, os traiu. Agora, preferem deixar os curdos na fronteira e quase os forçam a combater os turcos", afirmou.

Putin se mostrou compreensivo com as preocupações de Ancara sobre o aumento da atividade terrorista no nordeste da Síria, denunciando que os anseios separatistas curdos haviam sido instigadas desde o exterior, em clara alusão aos Estados Unidos.

Erdogan prometeu que, uma vez resolvida a questão no nordeste da Síria, quase um milhão de refugiados sírios que estão em território turco serão enviados de volta ao país./ EFE

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