James Hill/The New York Times
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Kremlin denuncia acusações 'absurdas' no caso Navalni

Opositor de Vladimir Putin está hospitalizado em coma na Alemanha, vítima do agente nervoso Novichok, de acordo com Berlim

Redação, O Estado de S.Paulo

07 de setembro de 2020 | 09h55

O Kremlin denunciou nesta segunda-feira, 7, o que chamou de tentativas "absurdas" de acusar a Rússia pelo envenenamento do opositor Alexei Navalni, hospitalizado em coma na Alemanha e vítima, de acordo com Berlim, de um agente nervoso do tipo Novichok.

"Todas as tentativas de associar a Rússia de alguma maneira com o que aconteceu são inaceitáveis para nós, são absurdas", afirmou o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov.

De acordo com o governo alemão, Navalni foi "inequivocamente" envenenado na Rússia durante uma viagem eleitoral com um agente nervoso do tipo Novichok, uma substância desenvolvida na época soviética com fins militares. O governo alemão e outros países ocidentais acusam as autoridades russas e pedem explicações.

O conflito ficou ainda mais tenso no domingo, quando a Alemanha apresentou à Rússia um ultimato de alguns dias para "explicar o ocorrido".

Moscou critica Berlim por "adiar o processo de investigação que reclama" ao não transmitir os documentos do caso às autoridades russas.

De acordo com Peskov, Moscou ainda não recebeu os elementos, mas espera que Berlim proporcione todas as informações necessárias à Rússia nos próximos dias. "Estamos esperando com impaciência", completou.

A chanceler alemã Angela Merkel afirmou nesta segunda que não descarta consequências para o projeto de gasoduto Nord Stream 2 se Moscou não apresentar as respostas esperadas sobre o envenenamento de Alexei Navalni.

"A chanceler considera que seria um erro descartar a possibilidade a princípio", respondeu o porta-voz da chefe de Governo, Steffen Seibert, ao ser questionado se Merkel tentaria evitar que o projeto de gasoduto fosse afetado em caso de sanções contra a Rússia.

No domingo, 6, o ministro alemão das Relações Exteriores, Heiko Maas, também disse que "seria um erro excluir a priori" consequências para o Nord Stream 2, que deve fornecer gás russo para Alemanha e Europa.

Maas deu a Moscou um prazo de alguns dias para "ajudar a explicar" o que aconteceu com Navalni. "Caso contrário, teremos que discutir uma resposta com nossos sócios europeus", advertiu. A Alemanha preside atualmente o Conselho da União Europeia./ AFP

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