Kremlin é criticado após 5 anos do massacre em escola

O quinto ano do massacre que deixou 334 mortos na escola de Beslan, na Rússia, foi lembrado pelo país nesta terça-feira, quando as crianças voltam às aulas. Em 1º de setembro de 2004, 32 militantes fortemente armados tomaram a escola e mantiveram reféns, por quase três dias, mais de mil homens, mulheres e crianças. Os militantes, de maioria chechena, exigiam que as tropas russas se retirassem do território checheno. Sobreviventes argumentam que os agentes de segurança pioraram o resgate, usando lança-chamas, granadas e armas pesadas que iniciaram o caos e a matança. O ataque levou o então presidente, Vladimir Putin, a realizar reformas no sistema eleitoral, a fim de ampliar o controle do Kremlin sobre a vida política da Chechênia. Muitas vítimas e ativistas acusam o Kremlin de fracassar na tentativa de levar a paz ao norte do Cáucaso.

AE-AP, Agencia Estado

01 de setembro de 2009 | 15h41

Às 9h15 (horário local) de hoje, o sino da escola marcou o momento em que, há cinco anos, pais e crianças se reuniam para o primeiro dia de aula. "Cinco anos e ninguém foi punido", gritou Matras Tsallagov, que perdeu o pai, a cunhada e um sobrinho. O único agressor que sobreviveu, de acordo com a versão oficial, Nur-Pashi Kulayev, recebeu uma pena de prisão perpétua em 2006. "Os culpados nessa tragédia não são apenas os terroristas, mas aqueles que deveriam tê-los parados, os generais. E as autoridades que os apoiam, elas não permitem qualquer investigação (independente)", afirmou Ella Kesayeva, membro do grupo Voz de Beslan. A filha dela, então com 12 anos, sobreviveu à chacina, mas dois sobrinhos e o cunhado, não. Com a violência no norte do Cáucaso, poucos sobreviventes ou parentes das vítimas acreditam que houve mudanças significativas desde então. Poucos estão satisfeitos com as investigações oficiais, que em grande parte absolveram a polícia da culpa por não evitar o massacre.

Tudo o que sabemos sobre:
RússiaBeslanChechêniaescolamassacre

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.