Yuri Kochetkov/EFE
Yuri Kochetkov/EFE

Kremlin rejeita pedidos dos EUA e da UE para libertar manifestantes opositores presos

No domingo, a polícia prendeu centenas de pessoas, incluindo o líder da oposição, Alexei Navalni, depois que milhares foram às ruas protestar contra a corrupção e cobrar a renúncia do primeiro-ministro russo

O Estado de S.Paulo

27 de março de 2017 | 08h04

MOSCOU - O Kremlin rejeitou nesta segunda-feira, 27, pedidos dos EUA e da União Europeia (UE) para libertar manifestantes de oposição presos na véspera durante protestos que o governo russo considera ilegais.

A polícia prendeu centenas de manifestantes em diferentes cidades da Rússia no domingo, incluindo o líder de oposição, Alexei Navalni, depois que milhares de pessoas foram às ruas protestar contra a corrupção e cobrar a renúncia do primeiro-ministro, Dmitri Medvedev.

O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, em entrevista a repórteres, qualificou os protestos como "uma provocação", e disse que as autoridades estão preocupadas que ativistas de oposição possam tentar encorajar pessoas a infringir as leis novamente no futuro. Segundo o governo, os protestos contaram com a presença de adolescentes pagos pelos organizadores.

Peskov afirmou que o Kremlin, no entanto, irá ouvir o que as pessoas que participaram dos protestos contra o governo em algumas cidades russas disseram no domingo.

Os protestos, convocados por Navalni, reuniram dezenas de milhares de pessoas no país. Ele foi detido no começo da manifestação em Moscou e será apresentado nesta segunda-feira ao juiz, informou seu porta-voz Kira Iarmych em sua conta no Twitter, por convocar uma manifestação que provocou desordem pública.

Na capital russa, onde milhares de pessoas desafiaram a proibição de protestar, pelo menos 933 foram detidas", relatou a organização OVD-Info, especializada no acompanhamento de manifestações.  A polícia anunciou cerca de 500 detenções em Moscou e mais de 130 em São Petersburgo, segundo a agência de notícias Interfax.

Navalni convocou o protesto depois da publicação de um relatório que acusa Medvedev de estar à frente de um império imobiliário financiado por oligarcas. A investigação, apresentada com um vídeo, foi vista 11 milhões de vezes no YouTube.

As autoridades não reagiram, como fizeram com outros vídeos publicados pela organização dirigida por Navalni, que se coloca como o principal opositor ao Kremlin, denunciando a corrupção das elites.

De onde está preso, Navalni disse estar "orgulhoso" de seus partidários e considerou as detenções "compreensíveis". "Os ladrões se defendem desta maneira. Mas não se pode prender todo mundo que é contra a corrupção. Somos milhões", escreveu o opositor no Twitter. / REUTERS e AFP

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