EFE/Martín Alipaz
EFE/Martín Alipaz

Kuczynski busca elo com fujimorismo

Presidente eleito do Peru procura chefe de gabinete que tenha interlocução à esquerda e à direita para ter governabilidade no Congresso

Luiz Raatz, O Estado de S. Paulo

11 Junho 2016 | 21h00

Eleito presidente do Peru por uma diferença de apenas 0,2 ponto porcentual, Pedro Pablo Kuczynski tem pela frente a difícil tarefa de governar o país com a oposição das duas maiores bancadas do Congresso: o conservador Fuerza Popular, de Keiko Fujimori, e a esquerdista Frente Ampla, de Verónika Mendoza. Logo após a definição de sua vitória, na quinta-feira, PPK, como é conhecido, moderou o discurso de campanha e buscou pontes entre os dois lados. 

As primeiras declarações do presidente eleito foram nesse sentido. Kuczynski afirmou que pretende nomear um primeiro-ministro – que no Peru funciona como uma espécie de chefe de gabinete – que tenha trânsito à direita e à esquerda do espectro político. Além disso, prometeu deixar para trás a retórica agressiva da campanha, principalmente na reta final do segundo turno, quando acusou Keiko de tentar implementar “um narcoestado que nos vai matar a todos” no país. 

O Fuerza Popular terá 73 assentos no Parlamento e tem grandes chances de eleger o presidente do Legislativo. Na sexta-feira, PPK negou que indultaria o pai de Keiko, Alberto Fujimori, condenado a 25 anos de prisão por corrupção e abuso contra os direitos humanos. O novo presidente disse, no entanto, que não vetaria uma lei de anistia aprovada pelo Congresso que incluísse mais gente. 

“A primeira coisa que temos a fazer é criar um ambiente no qual possamos virar a página”, disse PPK. “Agradeço à senhora Fujimori. Na democracia são bem-vindas todas as vozes.”

Keiko, após aceitar a derrota, prometeu uma oposição consciente e democrática, mas garantiu que fará oposição ao governo de Kuczynski. “Nossa linha mestra será lutar pelo desejo dos 8 milhões de peruanos que votaram por nós”, disse.

Ambos compartem visões similares sobre o manejo da economia. Na reta final da campanha, os dois candidatos também prometeram adotar uma linha dura contra a criminalidade urbana, principal problema do país apontado por eleitores peruanos em pesquisas de opinião. 

Outro fator que pode incidir na montagem do governo é o fato de que o partido de PPK, o Peruanos Por El Kambio, foi montado praticamente com o objetivo de disputar as eleições presidenciais e não conta com um alcance significativo no interior do país, ao contrário do Fuerza Popular de Keiko. 

“PPK está em uma posição muito difícil, porque tem apenas a terceira bancada do Congresso e terá de negociar”, disse ao Estado o analista Eduardo Dargant. “PPK por outro lado tem de considerar fazer alianças se quiser governar com um Congresso tão adverso.”

Com o Congresso nas mãos, o fujimorismo tem em tese o poder de aprovar leis e barrar a nomeação de ministros. O esforço de inserção do partido como ator legítimo na política peruana, no entanto, pode fazer com que o partido aceite negociar. 

A Frente Ampla, por outro lado, que defendeu voto útil em PPK contra Keiko, já afirmou que será oposição a ambas frentes políticas dentro do Parlamento. “Faremos oposição a ambos do primeiro dia”, disse Vérónika Mendoza. 

Veja abaixo: Debate a uma semana das eleições no Peru

Mais conteúdo sobre:
eleiçõesPerufujimorismo

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.