EFE/Martín Alipaz
EFE/Martín Alipaz

Kuczynski larga na frente de Keiko em apuração do 2º turno de eleição no Peru

Com 92,55% dos votos apurados, economista lidera a apuração do segundo turno das eleições presidenciais peruanas com 50,32% dos votos válidos; filha do ex-presidente Alberto Fujimori tem 49,68%

Luiz Raatz, ENVIADO ESPECIAL / LIMA, O Estado de S. Paulo

06 Junho 2016 | 08h10

LIMA - Com 92,55% dos votos apurados, o economista Pedro Pablo Kuczynski lidera a apuração do segundo turno das eleições presidenciais peruanas com 50,32% dos votos válidos. A conservadora Keiko Fujimori, filha do ex-presidente Alberto Fujimori tem 49,68%. A vantagem de PPK, como ele é conhecido no país, é de 103 mil votos. 

Na noite de ontem, Keiko disse a militantes de seu partido Fuerza Popular que conta com o voto do interior do país para virar a disputa. Alguns analistas, no entanto, crêem que o desafio é grande diante do que resta de votos e da proporção entre um candidato e outro.

“Isto nos enche de emoção e orgulho, saber que contamos com 50% de apoio da população. É uma disputa sem dúvida apertada, mas uma grande festa democrática”, disse. “Ao longo da noite, chegarão os votos do estrangeiro e do Peru profundo. Por isso, estamos otimistas e agradeço ao país.”

Cauteloso, Kuczynski pediu para esperar a divulgação dos resultados oficiais e contar “até o último voto”. “Ainda não ganhamos nada, mas recebo esses dados iniciais com otimismo e modéstia”, disse. “Não gostamos da ditadura e amamos o diálogo. Vamos deixar de brigas e confrontos.”

Se eleito, PPK terá de negociar com um Congresso hostil, no qual o fujimorismo tem maioria de dois terços. O partido Fuerza Popular, de Keiko, terá 73 dos 130 deputados do Congresso unilateral. De acordo com levantamento de boca de urna da Ipsos, PPK e Keiko venceram em um mesmo número de províncias: 13 cada um. Além disso, a divisão também foi geográfica. Keiko ganhou nas províncias do norte, ainda de acordo com a boca de urna, e PPK, nas do sul. Em Lima, que fica no centro do país, a situação era de empate técnico.

Normalidade. O dia de votação ocorreu sem problemas em Lima e nas regiões mais afastadas do país, segundo a Justiça eleitoral. Kuczynski e Keiko votaram no fim da manhã, nos bairros de San Isidro e La Molina. Keiko tomou um café da manhã, aberto a jornalistas, ao lado do marido, das filhas, da mãe, Susana Higuchi, e de alguns assessores. “Questionada sobre o pai, a candidata disse que o visitou na cadeia apenas duas vezes nos últimos dois meses. Ele cumpre pena de 25 anos de prisão. 

Keiko chegou à reta final da eleição, no fim de maio, com uma vantagem de pelo menos seis pontos porcentuais sobre PPK. Ao longo da semana passada, no entanto, a mobilização antifujimorista nas ruas, na imprensa e nas redes sociais favoreceu o economista. 

Na terça-feira, 5 mil pessoas fizeram um ato contra Keiko em Lima. Dois dias depois, pesquisa do Instituto indicou que PPK tinha diminuído a vantagem de Keiko para 2,3 pontos. 

Pesquisas de opinião feitas por institutos de pesquisas e divulgadas por agências internacionais também indicavam um crescimento de Kuczynski. Projeção do instituto Ipsos, no sábado, também mostrava o economista com 50,4% dos votos contra 49,6% de Keiko – uma situação de empate técnico.

Pessimismo. Entre os eleitores, no entanto, o clima ontem era de ceticismo com a classe política. Partidários dos dois candidatos demonstravam pouca esperança de que o país melhoraria nos próximos anos.

As principais reclamações dos peruanos dizem respeito à alta da criminalidade e da corrupção. Na última semana, no entanto, a pauta de direitos humanos voltou à cena, refletindo a polarização no Peru.

“Violação de direitos humanos é um assunto que polariza o país. Você tem uma leitura dos defensores dos direitos humanos, do voto antifujimorista, que isso representa um atentado contra a democracia, o estado de direito e as liberdades individuais”, disse a analista Adriana Urritia, mestre em estudos latino-americanos da Science Po, ao Estado. “Para quem não é crítico do fujimorismo, esses crimes representam uma porcentagem menor da violência que existia no país nos anos 80 e 90.”

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