REUTERS/Mariana Bazo
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Kuczynski pede a Trump que avalie extradição de ex-presidente acusado de corrupção

Suspeita-se que Alejandro Toledo esteja nos EUA, onde vive atualmente; Justiça do Peru emitiu uma ordem de captura por ele ter supostamente favorecido a Odebrecht em seus negócios no país em troca de subornos

O Estado de S.Paulo

13 Fevereiro 2017 | 08h11

LIMA - O presidente do Peru, Pedro Pablo Kuczynski, pediu no domingo a seu colega dos EUA, Donald Trump, que avalie a extradição do ex-presidente peruano Alejandro Toledo, em busca e captura por supostamente ter recebido US$ 20 milhões em subornos, segundo informou a agência oficial de notícias Andina.

Durante a conversa por telefone que ambos tiveram, Kuczynski solicitou a Trump que avalie a opção da extradição de Toledo dentro das faculdades que a lei de migração americana outorga ao Departamento de Estado.

Toledo estaria nos EUA, onde vive habitualmente, e desde quinta-feira tem uma ordem de captura da Justiça peruanacontra ele por supostamente ter favorecido a construtora brasileira Odebrecht em seus negócios no Peru em troca de subornos no valor de US$ 20 milhões.

Trump ligou para Kuczynski do avião presidencial, o Air Force One, em meio à incógnita do paradeiro de Toledo, depois que se soube que ele não viajou de São Francisco, na Califórnia, para Israel, possibilidade que o governo peruano cogitava no sábado.

Kuczynski agradeceu ao primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, que o governo israelense tenha impedido a entrada no país de Toledo. O mandatário escreveu uma carta de agradecimento ao premiê e está previsto que ambos tenham uma conversa por telefone nesta segunda-feira, 13.

O governo peruano temia que Toledo pudesse se refugiar em Israel, já que não há tratado de extradição entre ambos os países, mas o Executivo israelense anunciou que impedirá a entrada de Toledo em seu território até que solucione seus assuntos pendentes no Peru.

O ministro peruano do Interior, Carlos Basombrío, advertiu em entrevista à emissora Radio Programas del Perú (RPP) que Toledo ainda pode sair com liberdade dos EUA porque a Justiça americana ainda não ordenou sua detenção em seu território.

Basombrío comentou que os EUA solicitaram à Promotoria mais documentação e detalhes sobre os motivos para a captura de Toledo para assim poder proceder com ela.

O ministro esperou que as observações indicadas pela Justiça americana possam ser aceitas nesta segunda-feira, e desejou que Toledo possa estar à disposição da Promotoria peruana o mais rápido possível.

Defesa. Toledo afirmou no domingo que não é um fugitivo da Justiça peruana e reivindicou presunção de inocência sobre as acusações e crimes pelos quais é acusado. Em comunicado divulgado em sua conta no Twitter, ele argumentou que quando saiu do Peru não havia acusações contra ele e garantiu que defenderá seu nome com a condição de que não o "prejulguem" culpado.

Em sua primeira manifestação pública desde que foi emitida a resolução judicial, o ex-presidente afirmou em seu comunicado que o juiz Richard Concepción, titular do primeiro juizado de investigação preparatória da Sala Penal Nacional, o acusou de crimes que não cometeu e os quais o magistrado não pode provar.

O ex-presidente peruano qualificou as acusações contra si como "uma caça às bruxas" e garantiu que chamá-lo de "fugitivo" é uma distorção maquiavélica e política.

Toledo é acusado por supostos crimes de tráfico de influência e lavagem de ativos por cobrar subornos em troca de conceder à Odebrecht a licitação da Estrada Interoceânica do Sul, que atravessa o território peruano, desde a costa do oceano Pacífico até a fronteira com o Brasil. / EFE

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