La Paz é palco de saques; cresce número de mortos

O centro de La Paz foi tomado, nesta quinta-feira, por centenas de delinqüentes e agitadores empenhados em saquear o comércio, diante da ausência da forças policiais nas ruas. A cifra de mortos chegaria a 20, após informações não confirmadas sobre a morte de um manifestante na cidade de Cochabamba, onde também houve saques. Uma enfermeira morreu quando a ambulância em que atendia a um ferido foi atingida por tiros, em condições não esclarecidas. Uma médica e outra enfermeira ficaram feridas. Já chega a perto de uma centena o número de feridos, segundo informes médicos. O Hospital Geral, o principal centro de atendimento às vítimas, anunciou que não enviará mais ambulâncias, devido ao ataque a seus profissionais. O governo acusou diretamente o Movimento ao Socialismo (MAS), na oposição, do líder cocaleiro e deputado Evo Morales, de colocar franco-atiradores em diferentes pontos da capital boliviana, para atacar o Exército. O secretário executivo do Movimento Nacionalista Revolucionário (MNR), Oscar Sandóval, acusou Morales como um dos responsáveis pelos distúrbios, com o intuito de provocar a derrubada do presidente Gonzalo Sánchez de Lozada. Morales foi um dos organizadores da marcha convocada para exigir a renúncia do presidente, que degenerou em novos saques e confrontos. "Ele disse que o presidente não iria concluir seu mandato e que (o líder cocaleiro) iria passar da proposta aos protestos e, destes, à insurreição", disse Sandóval. O ministro da Defesa, Freddy Teodovic, declarou que as Forças Armadas constaram a existência de franco-atiradores civis e "detectaram extremistas do MAS (agindo) para derrubar o governo". O porta-voz governamental, Mauricio Antezana, indicou que Sánchez de Lozada não renunciará e pediu a Morales para que ajude o país a retornar à calma.Apesar de o governo e a polícia terem chegado hoje a um acordo, graças ao qual se previa a volta dos policias às ruas, os agentes não se apresentaram a seus postos. O centro da capital ficou à mercê dos ativistas e centenas de vândalos, em sua maioria jovens. Um grupo saqueou e incendiou um banco no centro de La Paz, deixando pelo menos cinco pessoas feridas. Outros continuaram saqueando o ministério do Desenvolvimento Sustentável, que já havia sido parcialmetne incendiado ontem. O governo dispôs a proteção da praça Murillo, onde se encontram o Palácio do Governo e o Congresso, com tanques e carros de assalto. A área foi cenário, na quarta-feira, de confrontos entre policiais amotinados e o Exército, em que morreram pelo menos 13 policiais. Aparentemente, os agentes se mantêm aquartelados porque as baixas provocaramum forte ressentimento em suas fileiras. Policiais em Cochabamba disseram que queriam a renúncia do presidente. Um porta-voz da empresa Soft Drinks informou que engarrafadora da Coca-Cola na cidade de El Alto havia sido atacada. Horas antes fora saqueado um armazém da alfândega, de onde foram roubados desde automóveis até computadores. Também um executivo da engarrafadora da Pespi nessa cidade disse que sua empresa havia sido atacada. O presidente, enquanto isso, se reunia com vários ministros em sua residência particular, com o propósito de frear a onda de distúrbios e apresentar um novo orçamento para o ano de 2003, depois de ter retirado na quarta-feira o que incluía o chamado "impuestazo", que a polícia apresentou como justificativa para o seu motim.O protesto dos policias havia começado na terça-feira, para exigir do governo a anulação do novo imposto sobre salários e um aumento de 40% em sua folha de pagamento. O acordo governo-polícia não contempla esse aumento, mas o governo se comprometeu a conceder aos policiais um bônus mensal além do soldo, embora não tenha indicado qual o montante. O ministro do Governo, Alberto Gasser, afirmou que os atos de vandalismo foram dirigidos por agitadores vinculados a partidos de esquerda.Indicou que os confrontos de quarta-feira na praça Murillo, entre policiais e militares, foram provocados por franco-atiradores de grupos radicais, que supostamente dispararam em direção a ambas as partes, policiais e militares, a fim de provocá-los.

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