Laboratório baixa preço de remédio antiaids

O ministro da Saúde, José Serra, que esteve em São Paulo hoje participando de reunião da Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma), elogiou a decisão do laboratório Merck Sharp & Dohme de oferecer descontos para dois remédios antiaids. Segundo o ministro, a decisão foi "conquistada porque o Brasil tem brigado por isso aqui e lá fora". Serra informou que os preços valem para compras do governo já a partir desta sexta-feira.Depois de se reunirem ontem com representantes do Ministério da Saúde, executivos da Merck Sharp decidiram reduzir os preços dos medicamentos indinavir e efavirenz - ambos compõem o coquetel antiaids. Com a redução, o governo desistiu de quebrar a patente dos produtos e produzi-los no País.Segundo o ministro, a Merck Sharp reduziu o preço de cada cápsula de 400 miligramas de indinavir de US$ 1,337 para US$ 0,47. Cada comprimido de 200 miligramas de efavirenz passou de US$ 2,05 para US$ 0,84. Serra disse que a redução gera economia anual de cerca de R$ 83 milhões.Apesar de a iniciativa do laboratório, o ministro garantiu que a Farmanguinhos, unidade de produção industrial da Fundação Oswaldo Cruz no Rio, continuará suas pesquisas para a produção nacional de medicamentos. Com o desconto oferecido pela Merck Sharp, fica mais barato comprar os remédios da indústria do que produzi-los no País.Na opinião de Serra, outras empresas podem tomar a mesma iniciativa. O ministro afirmou que o governo está aberto a propostas e citou o exemplo do neufinavir do laboratório Roche. "Se a Roche quiser reduzir o preço, aceitaremos de bom grado, mas, caso contrário, vamos fazer o licenciamento compulsório e quebrar a patente." Segundo Serra, o governo vai esperar até a metade do ano para que a Roche apresente uma proposta.

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