Jalal Morchidi/EFE/EPA
Jalal Morchidi/EFE/EPA

Laboratório de Wuhan nega responsabilidade por surto do novo coronavírus

Por outro lado, presidente americano Donald Trump adverte a China sobre possíveis 'consequências' devido à pandemia

Redação, O Estado de S.Paulo

19 de abril de 2020 | 02h53

O diretor do laboratório de segurança máxima da cidade chinesa de Wuhan, Yuan Zhiming, acusado pela mídia americana de ser a fonte do novo coronavírus, negou categoricamente as acusações no sábado, 18.

A China está sob crescente pressão sobre como administrou a pandemia. Os Estados Unidos estão tentando descobrir se o vírus se originou de um instituto de virologia que possui um laboratório de biossegurança.

Cientistas chineses alegaram que o vírus provavelmente partiu de um animal para o ser humano em um mercado que vendia animais selvagens. Mas algumas teorias afirmam que o germe se espalhou pelo Instituto de Virologia de Wuhan, especificamente no laboratório P4, equipado para lidar com vírus perigosos.

"É impossível que esse vírus venha de nós. Nenhum dos funcionários foi infectado", disse Zhiming, em entrevista à mídia pública. O diretor acrescentou que "todo o instituto realiza pesquisas em diferentes áreas relacionadas ao coronavírus". O laboratório já rejeitou essas teorias e disse que havia compartilhado informações sobre o patógeno com a Organização Mundial da Saúde (OMS) no início de janeiro.

No entanto, nesta semana, os rumores voltaram à tona nos Estados Unidos. O secretário de Estado Mike Pompeo disse que as autoridades americanas estão conduzindo uma "investigação completa" sobre como o vírus "foi lançado no mundo".

De acordo com o Washington Post, a embaixada dos EUA em Pequim, após várias visitas ao instituto, alertou as autoridades dos EUA em 2018 sobre medidas de segurança aparentemente insuficientes em um laboratório que estuda o coronavírus em morcegos.

As autoridades de Wuhan inicialmente tentaram encobrir o surto e há questionamentos sobre o número oficial de infecções porque o governo mudou repetidamente o método de contagem. Esta semana, as autoridades da cidade admitiram erros na quantidade de mortes e aumentaram o número em 50%.

'Consequências' devido à pandemia

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse no sábado, 18, que poderia haver "consequências" para a China se fosse constatada responsabilidade voluntária do país na pandemia do novo coronavírus. "Poderia ter sido detido na China antes de começar e não foi", afirmou o presidente na Casa Branca durante entrevista coletiva diária. 

Trump foi questionado se Pequim sofreria consequências pela pandemia que começou na cidade chinesa de Wuhan em dezembro e deixou mais de 157 mil mortos em todo o mundo. "Se foi um erro, um erro é um erro ... mas se eles foram intencionalmente responsáveis, sim, deve haver consequências."  / AFP

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