Laço Brasil-Irã recebe críticas em ato antiterror

Em aniversário de ataque contra a Amia, líder de associação de parentes das vítimas diz na Argentina que Teerã se arma com a anuência de Brasília

Ariel Palacios, corresponde em Buenos Aires, O Estado de S.Paulo

17 de julho de 2010 | 00h00

A cerimônia de homenagem aos 85 mortos no atentado contra a Associação Mutual Israelita Argentina (Amia) transformou-se ontem em uma tribuna de críticas ao Irã. Segundo a Justiça argentina, iranianos teriam sido os mentores do ataque terrorista que em 18 de julho 1994 arrasou a entidade beneficente judaica no centro de Buenos Aires. O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva também foi criticado por sua política de aproximação com o Irã.

"O Irã está atrás da morte de meu irmão, de seu amigo, de seu vizinho. O Irã nega este atentado e também nega o Holocausto, e até mesmo arma-se nuclearmente com o consentimento do Brasil, um país irmão que está cada vez mais longe", declarou Mariana Degtiar, membro da associação de Parentes de Vítimas da Amia. O irmão de Mariana, Cristian, era um estudante de direito que morreu aos 21 anos na explosão que arrasou o edifício.

Guillermo Borger, presidente da Amia, acusou o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, de "ridicularizar a Justiça internacional". Borger ressaltou que Teerã "ainda por cima, designou para o Ministério da Defesa do Irã (Ahmad Vahidi), um dos envolvidos no atentado".

Borger criticou governos que possuem laços comerciais com o Irã. "Há países que relacionam-se com Teerã, cujo governo nega a Shoa (Holocausto)." O embaixador de Israel em Buenos Aires, Daniel Gazit, também protestou contra a aproximação do Brasil e da Venezuela com o Irã: "Chávez e Lula não chamam a atenção de Ahmadinejad e deixam passar suas declarações nas quais convoca a destruição de Israel."

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