Laço entre ‘califado’ e Taleban preocupa afegãos

De acordo com moradores da Província de Farah, problemas não param de se agravar desde a saída dos soldados estrangeiros, em 2013

O Estado de S. Paulo

19 de fevereiro de 2015 | 23h51

FARAH, AFEGANISTÃO - A aproximação da um antigo comandante do Taleban com o Estado Islâmico (EI) na Província de Farah, no oeste do Afeganistão, tem preocupado líderes tribais e autoridades regionais. 

Farah é um exemplo da ligação existente no Afeganistão entre o radicalismo islâmico, o crime, o ópio e o frágil poder de Cabul. Moradores afirmam que os problemas não param de se agravar desde a saída dos soldados estrangeiros, em 2013.

Os habitantes da província são pouco otimistas a respeito da ameaça da violência jihadista em Farah. Eles temem que militantes liderados pelo mulá Abdul Raziq Mehdi possam imitar, ali, as atrocidades do Estado Islâmico na Síria e no Iraque.

“Em Khaki Safed há quatro tipos de administrações”, disse Binyamin Akhunzada, um camponês de pouco mais de 50 anos. “A primeira é a do governador. A outra é a polícia afegã. A terceira é a do Taleban. E a quarta é o Estado Islâmico. Essas quatro administrações atormentam os habitantes. Nenhuma delas serve à nação, mas só busca suas vantagens.”

Como Mehdi, vários líderes rebeldes do Taleban declararam-se leais ao EI nos últimos meses, embora existam poucos indícios de vínculos operacionais entre os grupos que agem na Síria e no Iraque e os do Afeganistão. 

Camponeses da cidade de Khaki Safed afirmam que a unidade do Estado Islâmico local, liderada por Mehdi, tem de 30 a 100 membros que se vestem de preto e cobrem o rosto. Eles viajam em picapes armadas com lançadores de morteiros, fuzis e metralhadoras. “As pessoas ouviram falar das brutalidades do EI e, portanto, estão apavoradas”, disse Abdul Ghafor, um ancião do distrito./ REUTERS 

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