Ladrões ''levam'' praia da Jamaica sem deixar pistas

Toneladas de areia foram roubadas de local onde se constrói um hotel de luxo

Rory Carroll, The Guardian, CARACAS, O Estadao de S.Paulo

22 de outubro de 2008 | 00h00

Ladrões jamaicanos constrangeram a polícia e provocaram desordem política ao roubarem toda uma praia - e fugirem sem deixar pistas. Centenas de toneladas de areia branca desapareceram em julho de uma praia na costa norte da Jamaica, onde seria construído um resort. Três meses depois, ainda não há sinais de suspeitos; nem da areia. Estima-se que 500 caminhões de areia tenham sido removidos dos 400 metros de extensão da praia Coral Spring, em Trelawny, um considerável feito logístico que deixa a polícia perplexa. Muita areia é empregada na construção civil irregular em toda a ilha, mas a escala da operação e a organização por trás do golpe levantaram suspeitas de que outros hotéis podem estar envolvidos."Trata-se de uma investigação muito complexa, que envolve diversos aspectos", disse Mark Shields, o vice-comissário da Força Policial da Jamaica. "Temos os receptadores da areia, temos os caminhões, os organizadores e, é claro, há a suspeita de que alguns policiais sejam cúmplices dos ladrões." A criminalidade crescente na Jamaica é abastecida pela concorrência na venda de outro tipo de pó branco, a cocaína. Mas o primeiro-ministro Bruce Golding parece ter se interessado especialmente pelo caso inusitado. O Partido Popular Nacional, opositor, acusa o governo de acobertamento. Os responsáveis pela construção do complexo em Coral Spring, estimado em US$ 108 milhões, suspenderam a obra e pediram um estudo de impacto ambiental da ausência da praia nas bacias de sal, nos mangues e nas florestas secas de calcário das proximidades. A Rede de Advocacia Ambiental expressou preocupação e exigiu que as autoridades investiguem os hotéis que estavam em construção na época do roubo. Os empreiteiros são obrigado a manter registros das matérias-primas empregadas, incluindo a areia.Críticos afirmam que a corrupção há muito prejudica os projetos à beira-mar. "Estão chutando areia na nossa cara, principalmente na do governo, que não é capaz de olhar para além do seu relacionamento com o setor privado de mentalidade capitalista", escreveu um comentarista no site abengnews.com.

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