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Lafer vai aos EUA preparar visita de FHC

O novo chanceler brasileiro, Celso Lafer, deve viajar nas próximas semanas aos Estados Unidos para preparar a visita que o presidente Fernando Henrique fará a Washington, possivelmente em março, a convite do presidente George W. Bush. Lafer terá encontros com o colega americano, o secretário de Estado, Colin Powell, e com a conselheira de Segurança Nacional da Casa Branca, Condoleezza Rice, que teve um papel central na iniciativa de Bush de diferenciar o telefonema que deu ao presidente brasileiro das chamadas que fez a outros líderes da região esta semana, convidando Fernando Henrique para visitar Washington antes da 3.ª Cúpula das Américas, no Canadá, em abril. Lafer deverá reunir-se também com o novo representante de Comércio da Casa Branca (USTR), Robert Zoellick, e com o secretário do Comércio, Donald Evans. Embora não esteja na lista inicial de contatos do chanceler em Washington, fontes sugeriram que Lafer faça uma visita de cortesia ao secretário do Tesouro, Paul O´Neill, porque ele, mais do que qualquer outro membro do novo gabinete americano, poderá influir de forma positiva na formação da percepção de Bush sobre o Brasil. Como ex-presidente da Alcoa, empresa líder mundial na produção de alumínio que tem uma antiga e importante presença no Brasil, O´Neill visitou o País mais de uma vez e desenvolveu uma visão bem informada sobre a evolução política e econômica brasileira nos últimos anos. Lafer disse hoje ao que viajará a Washington "com visão aberta para examinar o estado da arte" nas negociações dos grupos de trabalho da Alca e "fazer com que (o governo americano) veja as posições do Brasil em sua inteireza". Como ocorre com qualquer encontro entre presidentes, um dos efeitos do gesto de Bush de convidar Fernando Henrique a Washington será o de forçar as burocracias dos dois países a focalizar nas relações bilaterais e buscar entendimentos nos dois temas que estão no topo da agenda continental de ambos: o projeto de criação da Área de Livre Comércio das Américas e a grave crise na Colômbia. Sob esse ponto de vista, o encontro de Bush com Fernando Henrique é importante porque impõe - no início de uma nova administração em Washington e de uma nova gestão no Itamaraty - um reexame de posições e de atitudes, algumas delas viciadas, que permanecem nas burocracias americana e brasileira, não obstante a considerável melhora da qualidade do diálogo político entre Brasília e Washington em anos recentes, graças em parte ao bom relacionamento pessoal entre Fernando Henrique e Bill Clinton. Um exemplo dessas atitudes viciadas foi a oposição que, segundo fontes bem informadas em Washigton, o secretário-adjunto de Estado para a América Latina, Peter Romero, tentou fazer à idéia de Bush distinguir o Brasil dos demais países das Américasconvidando Fernando Henrique a Washington, no momento em que o líder americano começa a fazer os primeiros gestos simbólicos da prioridade que pretende dar às relações hemisféricas. Um alto funcionário do governo de Fernando Henrique identificou uma atitude semelhante, do lado brasileiro, nas "desnecessárias declarações públicas" que funcionários do Itamaraty fizeram esta semana reagindo a interpretações da imprensa sobre a mensagem que Robert Zoellick enviou ao Mercado Comum do Sul (Mercosul) e, obviamente ao Brasil, em termos diplomáticos e sem citar o País pelo nome, durante a sabatina de confirmação como ministro do Comércio Exterior dos EUA, na terça-feira. Em lugar de ouvir o conselho de Romero, que está de saída, Rice, a assessora de Segurança da Casa Branca, aceitou o argumento sobre a importância de Bush de fazer um gesto de reconhecimento do peso especial que o Brasil tem para o futuro das relações hemisféricas. Ele está resumido num documento que um grupo de trabalho sobre o Brasil, reunido pelo Council of Foreign Relations, preparou para entregar ao novo presidente e aos líderes do Congresso americano. "Os Estados Unidos não podem agir sozinhos na América do Sul e não há parceiro estratégico melhor do que o Brasil para enfrentar os problemas (da região)", afirma o documento, que será divulgado publicamente nos próximos dias. "Um diálogo sustentado com o Brasil é central para o sucesso de qualquer política dos EUA no hemisfério ocidental. O Brasil é o fulcro. O Brasil é demasiadamente importante em relação a tudo o que vai acontecer na América do Sul para (Washington manter) uma política de negligência benigna." O ex-embaixador dos EUA no Brasil Melvyn Levistky, hoje professor na Universidade de Syracuse, Nova York, apoiou a iniciativa de Bush. "É um reconhecimento por parte de Bush da importância de manter relações estreitas com o Brasil", disse ele.

Agencia Estado,

01 de fevereiro de 2001 | 21h31

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