'Lago de terremoto' obriga à nova operação de retirada na China

A China retirou de suas casasoutras 150 mil pessoas que moram nas proximidades de um grandelago formado depois do devastador terremoto deste mês --teme-se que o lago arrebente e que provoque uma grandeinundação, afirmaram na quarta-feira meios de comunicaçãooficiais. No mesmo dia, as Forças Armadas do Japão prometeram enviarbarracas e cobertores para a China depois de o governo chinêster pedido ajuda, disse a agência de notícias japonesa Kyodo. O lago Tangjiashan nasceu quando deslizamentos de terraprovocados pelo terremoto de 12 de maio bloquearam o curso dorio Jianjiang, no condado de Beichuan (Província de Sichuan),nas cercanias do epicentro do pior abalo sísmico ocorrido naChina em décadas. Oficialmente, o terremoto de 7,9 graus na escala Richter jámatou 68 mil pessoas, mas essa cifra deve aumentar ainda maisjá que há quase 20 mil vítimas consideradas desaparecidas. Na terça-feira, tremores de terra derrubaram 420 mil casas,muitas delas anteriormente comprometidas. O pedido da China ao Japão, que o governo japonês afirmouestar avaliando, faria com que os militares japonesesingressassem em território chinês pela primeira vez desde ofinal da Segunda Guerra Mundial e aponta para o grande desafiocom que os chineses se deparam. As relações sino-japonesas, tradicionalmente difíceisdevido à brutal ocupação japonesa de partes da China entre 1931e 1945, tem melhorado nos últimos meses e equipes de resgate emédicos japoneses chegaram à Província de Sichuan pouco depoisdo terremoto de 12 de maio. O presidente chinês, Hu Jintao, afirmou a um grupo depolíticos de Taiwan em visita à China que os esforços de ajudadeparavam-se com muitos desafios. "A enorme destruição provocada pelo terremoto, o imensonúmero de vítimas e as extremas dificuldades para levar adianteos esforços de ajuda formam um cenário poucas vezes visto aolongo da história", afirmou Hu. O governo reduziu para zero as tarifas de importação paravacinas, antibióticos e produtos do anti-soro sanguíneo,afirmou o Ministério das Finanças do país. Enquanto lutam para levar ajuda às vítimas diretas do abalosísmico, as autoridades tentam também evitar que represas ereservatórios de água fragilizados provoquem novos desastres. Nas proximidades do lago de Tangjiashan, os moradores foramretirados de suas casas durante a noite enquanto engenheirosescavavam um canal de escoamento para evitar uma enchente. Até 1,3 milhão de pessoas se veriam obrigadas a deixar suascasas se as barreiras do lago se romperem por completo, afirmouo jornal China Daily. O nível das águas em Tangjiashan, um dos 35 "lagos deterremoto" formados pelo tremor, continua a subir. E uma enormeeclusa que vem sendo construída só ficaria pronta dentro demais uma semana, disse o diário. O terremoto deve também prejudicar os esforços da Chinapara limitar a inflação neste ano, disse uma importanteautoridade do governo. E isso por causa dos danos às safrasagrícolas e aos pesados investimentos necessários nas obras dereconstrução. "Neste momento, é difícil dizer de quantos pontospercentuais a mais será a pressão inflacionária, mas certamentehaverá algum tipo de pressão", afirmou Xu Xianchun, vice-chefedo Escritório Nacional de Estatísticas. Atingir a meta de uma taxa anual de inflação de 4,8 porcento em 2008 seria algo muito difícil, disse. No entanto, Mu Hong, vice-presidente da Comissão Nacionalde Desenvolvimento e Reforma, maior agência de planejamentoeconômico da China, afirmou que o terremoto afetaria de formaprofunda a economia da região atingida, mas não teriareverberação no crescimento nacional.

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