REUTERS/Nyancho NwaNri/File Photo
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Lagos, cidade mais populosa da África, deixa quarentena após cinco semanas

Maior centro econômico da Nigéria, metrópole de 20 milhões de habitantes tenta retomar a normalidade

Redação, O Estado de S.Paulo

04 de maio de 2020 | 15h35

LAGOS - Apesar de um aumento acentuado nos casos de coronavírus na Nigéria, o país mais populoso da África, a maioria dos 20 milhões de habitantes de Lagos, sua capital econômica, declarou-se "aliviada" por poder voltar ao trabalho após cinco semanas de estrito confinamento. No distrito comercial da Victoria Island, as pessoas correram para os bancos para sacar dinheiro e retomar a atividade econômica.

Todas as lojas foram reabertas e os estacionamentos estavam cheios. "Acabamos de passar um mês de fome e dor. Agora eu posso ganhar dinheiro e alimentar minha família", afirmou Ganiyu Ayinla, convidando os passageiros a embarcarem em seu "Danfo", como são chamados os microônibus  amarelos de Lagos.

No dia anterior, a megalópole ainda era uma cidade fantasma, triste e silenciosa. Mas, desde os primeiros raios de luz, a horda de 20 milhões de pessoas logo se animou, voltando à vida como se estivesse acordando de um pesadelo.

Vendedores de bebidas, legumes e carnes assadas apareciam em cada esquina enquanto longas filas de carros se alinhavam com as pessoas a caminho do trabalho.

Diante da pressão social, e após uma série de violências e saques, o governo decidiu suavizar as medidas e apenas aplicar o toque de recolher de 19:00 às 06:00. No país de 200 milhões de pessoas, a maioria depende do setor informal para sobreviver e, nas últimas semanas, a fome começou a ser sentida. 

Policiais foram mobilizados por toda a cidade para tentar sensibilizar a multidão aos gestos de proteção e regulamentos antivírus implementados por Lagos. "Só autorizamos passageiros com máscaras", explicou um agente. "A capacidade dos ônibus não deve exceder 60% e apenas circulam os motoristas que podem distribuir água, sabão ou gel hidro-alcoólico". 

Mas a tarefa é imensa nesta megalópole e as forças de segurança não serão grandes o suficiente  para fazer cumprir os princípios de distanciamento de pelo menos 1,50 metro impostos pelas autoridades.

Alertas

A Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou os governos da África Subsaariana contra a tentação de não realizar a quarentena, incentivada pelo fato de que muitas de suas populações dependem do setor informal para sobreviver. Outros países do continente, como a África do Sul, que entrou em confinamento em março, também começaram a facilitar o confinamento.

Já nações como a República do Congo e as Ilhas Maurício decidiram prolongar as medidas. Com 44 mil casos e 1.800 mortos, o continente africano até agora se mostra pouco afetado pela covid-19, mas a OMS já alertou para possível subnotificação e disse que os países da região não devem baixar a guarda. / AFP e EFE

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