Reprodução/EFE
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Langlois, um jornalista que procura sempre a voz das vítimas

Jornalista está em poder das Farc desde 28 de abril; grupo promete libertá-lo 'são e salvo'

Efe,

07 Maio 2012 | 09h34

BOGOTÁ - O jornalista francês Roméo Langlois, em poder das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) desde o dia 28 de abril, é um "correspondente íntegro", que "procura sempre levar a voz das vítimas" do conflito que afeta a Colômbia há mais de meio século.

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"É um homem consciente, inteligente, que tem muitas fontes de informação e nada do que faz é leviano ou superficial", pelo contrário, uma pessoa "que quando conta para alguém um projeto, o estudou cabalmente", assinala à agência Efe sua amiga a também jornalista Konstanz Vieira.

Algo que descreve perfeitamente Langlois, hoje com 35 anos, é o título de um comunicado dos povos indígenas do departamento do Cauca, sudoeste, por causa de seu desaparecimento, lembrou a colega.

"Roméo Langlois levou a palavra dos povos", a melhor homenagem "a suas convicções", segundo Vieira, já que este jornalista "apaixonado por seu trabalho" é reconhecido pelos indígenas.

O comunicado aborígine pede que, "em respeito a seu trabalho e à necessidade de gente como ele para se alcançar a paz na Colômbia, que se saiba a verdade (...) e que imediatamente seja libertado!"

Langlois nasceu em Toulouse, estudou Ciências Políticas e Comunicação e foi colaborador do canal de televisão France 24 e também repórter do jornal parisiense Le Figaro e da revista feminina Marie-Claire.

Mas sempre foi um "apaixonado pelas histórias de interesse social", segundo dizem que o conhecem e, precisamente, chegou à Colômbia há 12 anos para cobrir um país em conflito.

"Buscava o outro lado da informação e entendia que seu trabalho em uma sociedade em conflito, como a colombiana, também lhe permitia levar a voz das vítimas, as vozes mais humildes e afetadas" e pelas quais sempre se inclina, assinalou o também jornalista Hollman Morris.

"Se alguém quer contar a realidade do conflito, não há outro remédio do que estar perto dele. Apesar de nós não sermos colombianos, este país nos apaixona", assinalou por sua vez Simone Bruno, companheiro de Langlois.

E acrescentou que "se o que está acontecendo agora pelo infeliz incidente com Roméo dá visão ao conflito e abre alguma possibilidade de solução pacífica, terá valido a pena o que fizemos".

Bruno acrescentou em entrevista publicada este domingo no jornal El Espectador que para os correspondentes como ele ou Langlois, "mais que preparação", se requer "sensibilidade para entender as dinâmicas do confronto" e reconhece que "nisso Roméo é realmente bom".

Durante todos estes anos a cobertura das notícias por parte de Roméo "foi de uma imparcialidade absoluta", acrescentou Bruno.

O também correspondente ressaltou que "a força de Roméo é seu profissionalismo".

Um profissionalismo reconhecido por outras dezenas de colegas, assim como os indígenas de Cauca, associações internacionais de imprensa, organismos e Governos que agora exigem sua libertação.

Nestes dias se divulga nas televisões do mundo todo um documentário que ele realizou junto à também francesa Pascale Mariani.

O filme "Pour tout l'or de Colombie" ("Por todo o ouro da Colômbia"), mostra "os mecanismos de financiamento por trás da guerra e que não deixam pôr fim ao conflito" no país andino, assinalou Konstanz Vieira.

No documentário está a marca de Roméo, pois "há denúncias muito concretas, de mineração e de gente interessada em que a guerra continue", acrescenta a jornalista.

Langlois e Simone Bruno, que é italiano, trabalham geralmente "em dupla" e ambos queriam gravar uma operação antinarcóticos no Caquetá, sul da Colômbia.

Mas Bruno teve que retornar a Bogotá porque a operação da força antinarcóticos do Exército e a Polícia foi adiada e se salvou do confronto no qual Langlois foi feito refém.

 

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