Lapid tem sucesso com mensagem populista

Ex-âncora de TV estabeleceu a missão de representar a classe média lutadora de Israel

ISABEL KERSHNER , THE NEW YORK TIMES / JERUSALÉM, O Estado de S.Paulo

24 de janeiro de 2013 | 02h03

Homem bonito, afável, Yair Lapid já era uma celebridade e o símbolo do sucesso em Israel, onde conseguiu conquistar um público considerável como jornalista competente e âncora de um programa de televisão muito popular.

Quando as sessões eleitorais fecharam na terça-feira, entretanto, estava claro que Lapid tinha reinventado a si mesmo como um dos líderes políticos mais poderosos do país, explorando sua celebridade e uma mensagem populista de grande apelo.

Lapid, de 49 anos, foi uma surpresa nas eleições israelenses. Seu partido foi o segundo mais votado, quando as pesquisas de opinião mostravam que seria o quarto. Ele havia previsto que se sairia melhor graças à comunicação fácil com a classe média e sua ênfase na justiça social e nas crescentes desigualdades sociais. Estava certo. O Yesh Atid, seu partido de centro, obteve 19 cadeiras, tornando Lapid o principal interlocutor com as forças políticas na formação da próxima coalizão de governo.

Embora pouco conhecido no exterior, para muitos desta geração ele representa o israelense por excelência. Seu pai foi um sobrevivente do Holocausto que se tornou ministro da Justiça. Sua mãe era uma romancista muito famosa. Um ano atrás, quando Lapid decidiu deixar a TV e ingressar na política, estabeleceu a missão de representar a classe média lutadora do país, um eleitorado há muito tempo negligenciado. Ele lançou um apelo comum, uma ideia de renovação para um político israelense. Autor de uma coluna que tinha um grande número de leitores no suplemento semanal do jornal Yediot Aharonot, ele escrevia sob o título que se tornou seu bordão: "Onde está o dinheiro?" Ele escreveu ultimamente: "Esta é a grande interrogação que faz a classe média israelense, a mesma em nome da qual decidi me dedicar à política. Onde está o dinheiro? Por que o setor produtivo, que paga os impostos, cumpre suas obrigações, presta serviço militar e carrega o país nas costas, não vê o dinheiro?" Lapid expressou a frustração de centenas de milhares de israelenses que foram às ruas nos protestos por justiça social no verão de 2011.

Quando fundou o partido Yesh Atid (Existe um Futuro), adotou as reivindicações populares por igualdade na isenção automática do serviço militar para milhares de estudantes ultraortodoxos que optam pelo estudo da Torá em tempo integral. Também incorporou as reivindicações por uma educação pública de mais qualidade e o fim do aumento dos impostos que asfixiam a população trabalhadora. Algumas vezes, quando seus partidários apareciam nos comícios vestindo camisetas do Yesh Atid e segurando cartazes, Lapid foi acusado de tentar sequestrar os protestos que brotavam das bases da sociedade. Alguns dos jovens líderes desses protestos acabaram se candidatando pelo Partido Trabalhista.

Quando as pesquisas indicaram que o Yesh Atid poderia receber uma dúzia de cadeiras no Parlamento, Lapid afirmou que obteria 20 ou mais, pois poderia traduzir melhor a revolta da classe média trabalhadora.

A respeito do processo de paz com os palestinos, Lapid também se colocou no centro, apresentando posições prudentes na área de consenso: ele afirma que é favorável às negociações para um Estado palestino, mantendo os grandes blocos de assentamentos na Cisjordânia sob o controle de Israel, e se opõe a uma divisão de Jerusalém. / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

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