David Backer/AFP
David Backer/AFP

Ataque a tiros em Las Vegas deve acirrar debate sobre porte de armas nos EUA

Donald Trump já está enfrentando questionamentos sobre a venda de armas de fogo no país; autor dos ataques tinha mais de dez fuzis

O Estado de S.Paulo

02 Outubro 2017 | 15h42
Atualizado 02 Outubro 2017 | 21h28

WASHINGTON - Em função do ataque a tiros mais violento ocorrido na história recente dos Estados Unidos, quando um aposentado atacou o público de um show country em Las Vegas, Donald Trump deverá enfrentar novos questionamentos sobre a venda de armas de fogo no país.

As autoridades não vinculam, por enquanto, a matança - que deixou ao menos 58 mortos e 515 feridos - ao terrorismo internacional, apesar de o ataque ter sido reivindicado pelo grupo Estado Islâmico (EI).

O autor dos disparos, que se suicidou, tinha mais de dez fuzis no quarto de hotel de onde abriu fogo. Em um breve pronunciamento na Casa Branca, o presidente afirmou que o ato representa "o mal absoluto" e pediu que o país permaneça unido e reze. Mas não disse nenhuma palavra sobre a legislação referente às armas de fogo.

Apesar de a investigação ter apenas começado, os rivais democratas de Trump já exigem, independentemente de quais tenham sido as motivações do assassino, uma modificação na legislação sobre armas, tema que suscita debates acalorados nos Estados Unidos.

Apoiado na campanha eleitoral pela maior organização americana defensora do direito de possuir armas de fogo, a Associação Nacional do Rifle (NRA), Donald Trump sempre foi um defensor feroz da Segunda Emenda da Constituição, que estipula que não se pode atentar contra "o direito do povo de ter e portar armas". A interpretação da emenda é objeto de fortes discussões. 

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Algumas horas depois da tragédia, a ex-candidata democrata à presidência Hillary Clinton pediu um debate aprofundado sobre as armas. "Nossa pena não é suficiente. Podemos e devemos deixar a política de lado, enfrentar a NRA e trabalhar juntos para tentar fazer com que isso não volte a ocorrer", escreveu no Twitter.

"Sempre há (pessoas que matam) com histórias e motivações diferentes, seu trágico elemento em comum é ter armas poderosas", destacou Ben Rhodes, ex-assessor de Barack Obama, que tentou em vão fazer com que os Congresso legislasse sobre o assunto.

Massacre após massacre, os democratas não deixaram de tentar tornar a legislação sobre a venda de armas mais estrita, mas os republicanos conseguiram, até agora, agir em bloco e se opor a qualquer limitação.

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As pesquisas de opinião indicam que a maioria dos americanos é a favor de um endurecimento da legislação. Donald Trump não deu até agora nenhum sinal de que fosse mudar sua postura, que entusiasma a sua base eleitoral mais fiel.

No início da tarde de segunda, a Casa Branca afirmou que não é hora de começar um debate sobre o controle de armas. "Há um momento e um lugar para o debate político, mas agora é o momento de nos unirmos como país", disse a porta-voz da Casa Branca, Sarah Huckabee. Ela ressaltou que existe uma investigação em andamento e que "é prematuro discutir política quando não se conhece todos os fatos". 

"Vocês têm um autêntico amigo na Casa Branca (...). Vocês me apoiaram, eu os apoiarei", declarou Trump 100 dias depois de sua chegada ao poder, em um insólito comparecimento de um presidente em exercício à NRA.

Durante a campanha, já tinha ido longe em sua argumentação, quando usou o exemplo do regime francês, muito restritivo, afirmando que os atentados de 13 de novembro em Paris não teriam sido tão letais se a lei fosse diferente.

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Para ganhar a simpatia de milhares de membros da NRA, Trump lembra regularmente que dois de seus filhos são sócios dessa entidade há anos. "Eles têm tantos fuzis e armas que às vezes até eu fico um pouco preocupado", brincou certa vez.

Na segunda, o senador democrata Chris Murphy, de Connecticut, onde em dezembro de 2012 aconteceu o massacre da escola de Sandy Hook, em Newtown, manifestou sua irritação.

"É simplesmente exasperante que meus colegas no Congresso tenham tanto medo da indústria das armas que fingem que não há nenhuma solução política para esta epidemia". "É hora de que o Congresso se mova e faça algo", acrescentou. / AFP

 

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