Latino-americanos não aceitam conclusão de cúpula de alimentos

Um grupo de países latino-americanosacusou nesta quinta-feira a cúpula de alimentos das NaçõesUnidas de diagnosticar incorretamente as raízes da crise queameaça milhões de passarem fome, mas decidiram parar de atacaro evento. Cuba, Venezuela e Argentina foram os críticos mais fortesda declaração final aprovada pela cúpula de 183 países. Estafoi passada sem a aprovação dos apenas horas depois deprotestos de delegados no debate observado pela mídia mundial. Cada um expressou preocupações de que a conferência de Romanão levou em conta as opiniões de países em desenvolvimento. "Textos como este... francamente negligenciam asnecessidades vitais daqueles que sofrem com a fome", afirmou odelegado cubano Orlando Requeijo Gual, criticando o embargonorte-americano à ilha caribenha. Ele reclamou das "estratégias sinistras de usar os grãoscomo combustíveis", em referência ao biocombústivelnorte-americano a base de milho, cujos produtores são acusadosde ajudar a causar a elevação dos preços de alimentos. A Argentina, produtora de grãos e de carne, focou ascríticas à declaração na queda nas exportações. "Quando começamos o básico errando no diagnóstico, nenhumremédio apropriado pode ser encontrado. Este é o problema destadeclaração", afirmou o delegado argentino Luis Niscovolos. Os pesos pesados econômicos Brasil e México ficaram de ladonos debates, o que foi interpretado como solidariedade a seusaliados regionais. Um membro da delegação venezuelana disse que os países emdesenvolvimento precisam ser capazes de se defender do livremercado quando necessário, incluindo quando enfrentam umperigoso fluxo de entrada de produtos importados que podemdevastar a indústria local.Especialistas consideram que a causa da crise de alimentos estána dificuldade de diversos países pobres em produzir osuficiente para eles próprios. O embaixador venezuelano para a Organização paraAlimentação e Agricultura da ONU (FAO na sigla em inglês), queabrigou o evento, questionou porque países pobres da África ede outros lugares apoiaram a declaração. "Eu pergunto... isto irá trazer o fim da fome?", disse avenezuelano Gladys Francisca Urbaneja Duran.

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