Latinos pela reeleição esperam voto de negros no futuro

Hispânicos são 16% da população (50,5 milhões); um em cada quatro americanos com menos de 18 anos é latino

LAS VEGAS, NEVADA, O Estado de S.Paulo

21 de outubro de 2012 | 03h05

Sob o rótulo "latinos", ou "hispânicos", há diferentes perfis. Nos Estados mais ao sul, uma faixa de 1,3 milhão km² conquistada pelos Estados Unidos na Guerra Mexicano-Americana (1846-8), existe um enorme contingente de americanos que têm nome e sobrenome hispânicos e falam espanhol com diferentes graus de fluência. Muitos pensam em inglês e mal sabem pronunciar os próprios nomes.

Dessa identidade híbrida nascem visões singulares, e a ascensão de Barack Obama despertou em muitos mexicano-americanos um sentido estratégico. "Com Obama, os negros tiveram a chance de eleger um líder para representá-los", interpreta Jenaro Salazar, um texano de 59 anos, que se aposentou como operário há 7 e se transferiu do Colorado para Las Vegas em busca de um clima mais quente por problemas nos joelhos. "Dentro de 20 anos, os hispânicos poderão dizer: chegou a nossa vez. Então os negros nos apoiarão, porque apoiamos Obama."

O Censo de 2010 mostrou que os hispânicos já representam 16% da população americana, ou 50,5 milhões de pessoas. Dessas, 21,3 milhões podem votar. Um em cada quatro americanos com menos de 18 anos é latino, o que significa que a fatia de eleitores hispânicos crescerá drasticamente nas próximas décadas. Estima-se que os brancos não-latinos se tornem minoria da população americana por volta de 2050. Os latinos têm taxa de fertilidade maior que a dos brancos, por sua vez superior à dos negros, que com 42 milhões já foram ultrapassados pelos hispânicos.

Dos 50,5 milhões de hispano-americanos, 63% são de origem mexicana, como Salazar. Ele observa que os latinos estão se alistando em massa para a carreira nas Forças Armadas - que representa oportunidade de trabalho e qualificação para jovens pobres, e de cidadania para os imigrantes. "Seremos o maior Exército do mundo, e 80% serão hispânicos", disse Salazar, falando em inglês. "Estamos esperando por isso."

Há uma identificação dos latinos com Obama que obviamente não se refere apenas a esse sonho de tornar-se maioria no futuro, mas a uma condição de minoria pobre, de mão de obra desqualificada e barata, no presente.

"Gosto dele porque está sempre ajudando os estudantes, os pequenos empresários, os pobres", enumerou Hector González, californiano descendente de mexicanos que trabalha na construção civil em Las Vegas. González, de 38 anos, nunca tinha participado de eleição até que em 2008 se sentiu motivado a votar em Obama.

"Acho que as coisas melhoraram, pois quando ele entrou os Estados Unidos estavam no chão", afirma. "Muitos pensam que ele não fez nada, mas eu penso que fez muito."

Cozinheiro de um restaurante mexicano em Summerlin, cidade rica a noroeste de Las Vegas e reduto republicano, Orlando Jaramillo votará pela primeira vez este ano, aos 25 anos.

"Votarei em Obama porque acho que não é inteligente mudar no meio", explicou em inglês Jaramillo, cuja família é do Novo México. "Foram apenas quatro anos. Acredito que um governante precisa ficar mais tempo para entender o país e o mundo." / L.S.

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