Latinos reagem à denúncia de que também foram espionados

Países latino-americanos protestaram diante da informação publicada ontem pelo jornal O Globo afirmando que, segundo documentos secretos da Agência de Segurança Nacional dos EUA (NSA, na sigla em inglês), Washington também espionou cidadãos de Argentina, Colômbia, Equador, México, Venezuela, Panamá, Costa Rica, Nicarágua, Honduras, Paraguai, Chile, Peru e El Salvador - além do programa de monitoramento que manteve no Brasil.

BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

10 de julho de 2013 | 02h06

Segundo a reportagem do diário brasileiro, o objetivo da agência de espionagem americana era obter dados sobre temas como energia, petróleo e compras de equipamento militar.

"Corre um frio pela minha espinha quando me dou conta de que estão espionando a todos nós por meio de seus serviços de informação", afirmou a presidente argentina, Cristina Kirchner. "Espero que agora, na reunião do Mercosul de sexta-feira (em Montevidéu), os presidente façam um forte pronunciamento e um pedido de explicações diante dessas revelações."

O ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência do Brasil, Gilberto Carvalho, também considerou a cúpula do Mercosul uma "boa ocasião" para os países do bloco definirem uma posição.

O vice-presidente equatoriano, Jorge Glas, pediu "explicações a respeito dessas acusações e denúncias internacionais". "Tem de haver transparência, há de se respeitar as normas internacionais, os marcos jurídicos internacionais que protegem o direito à intimidade das telecomunicações, que evidentemente foram feridas", declarou.

"Não podemos continuar vivendo em uma situação de espionagem permanente", afirmou o chanceler equatoriano, Ricardo Patiño. O ministro declarou que, normalmente, "muita espionagem" costuma ser motivada por diferenças entre os países: "Não gosto desse governo, (ele) não atua segundo meus interesses, não me obedece, então vou espioná-lo".

O chanceler de Quito defendeu que essa questão seja um dos temas de debate da próxima Assembleia-Geral de ONU, em setembro, onde deverá ser chamada a atenção de países que, segundo Patiño, "tenham estado violando de maneira tão desavergonhada os direitos humanos de todos os cidadãos" por espioná-los, sem que a motivação "tenha absolutamente nada a ver com o terrorismo".

A presidente costa-riquense, Laura Chinchilla, juntou-se ao coro. "Parece-me que o mais saudável que está ocorrendo é que se abriu uma discussão ampla sobre qual deve ser o equilíbrio entre a proteção da segurança de uma nação e seus cidadãos diante do respeito ao direito de outras nações." / AP, AE e EFE

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